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Os media, António Domingues e Sérgio Monteiro

António Domingues foi nomeado para presidente da CGD por um novo governo para dirigir o maior banco português. Não há suspeitas de favorecimento político, tem uma longa experiência de gestão bancária e ninguém, dos que criticam o seu salário, põe em causa a sua competência técnica e profissional. Vai receber por funções muitíssimo claras 30 mil euros mensais. Sérgio Monteiro foi nomeado “vendedor” do Novo Banco por um governo demissionário de que era secretário de Estado e quase todos põem em causa as suas habilitações curriculares para a tarefa. Está a receber, para fazer ninguém sabe muito bem o quê, quase 30 mil euros mensais. Nos sites do “Público” e do “Diário de Notícias” as referências ao salário de António Domingues foram cinco vezes superiores às do salário de Sérgio Monteiro. Nos do “Expresso” e da TSF foram três vezes mais. No do “Correio da Manhã” seis. Não é possível fazer estas contas nos canais de televisão, mas arrisco uma proporção ainda mais favorável a Domingues. Criticar esta parcialidade não é assumir que a polémica é inadequada. O que se critica é a desproporção. Sobretudo quando o caso menos tratado é objetivamente mais difícil de justificar do que aquele que alimentou maior polémica mediática. Estas coisas não acontecem naturalmente. É a agenda política de quem marca a agenda mediática

Muitas vezes escrevo aqui sobre o desequilíbrio que existe na cominação social em relação a este governo e ao anterior. E esse desequilíbrio sente-se especialmente na sucessão de pequeninos escândalos que, todos juntos dão, como se sabe, uma sensação difusa contra a qual é impossível qualquer político lutar. É muito habitual isso acontecer em governos em fim de mandato. A comunicação social tende a sentir o animal doente e a atacar. É inédito num governo com um ano. Começou mal o governo tomou posse. Ainda antes, na realidade. Este cerco não resulta, como demonstram todas as sondagens, da impopularidade deste governo. Pelo contrário, ela tem vindo a aumentar.

Assistimos a um cerco político que resulta, antes de tudo, do facto de António Costa ter integrado o PCP e o Bloco no arco da governação, desfazendo um cordão sanitário que, desde o 25 de novembro, tinha dividido a esquerda. Essa é a razão de fundo para a parcialidade da comunicação social, que foi especialmente visível nas vésperas do Orçamento de Estado, onde cada pequena informação ou sugestão foi transformada num assunto nacional para depois do Orçamento apresentado (e esvaziadas quase todas as polémicas) rapidamente passarmos outros assuntos e pequeninos escândalos.

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