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Redistribuir em esforço

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A tentativa de redistribuir as dificuldades (não falo de austeridade de esquerda, porque há uma real devolução de rendimentos) favorecendo em simultâneo aqueles que são socialmente mais débeis e proteger as atividades económicas sem pôr em causa as metas europeias é uma arte difícil. Recordando que se dizia que este ia ser o orçamento em que seria impossível passar entre as exigências da esquerda e os limites de Bruxelas, é justo afirmar que, mesmo cumprindo ao ralenti a extinção da sobretaxa e tendo de gerir a difícil questão das pensões mínimas (tratarei disso amanhã), o governo conseguiu fazer as escolhas menos más para a grande maioria dos contribuintes e para a economia. Como todas as limitações, é um orçamento que não fica, como era hábito, à direita do possível. E, apesar de praticamente todas as medidas que provocaram mais ruído se confirmarem, nenhuma pessoa séria se atreve a anunciar de novo a revolução bolchevique

Quando Mário Centeno diz, como disse ao Expresso, que este era um orçamento de esquerda talvez se tenha excedido. Os limites impostos por Bruxelas impedem medidas expansionistas. Impedem, por exemplo, um aumento do investimento público capaz de ajudar a recuperar a economia. Impedem, por isso, que a esquerda confirme as suas teses em relação à melhor forma de lidar com esta crise.

Mas dentro destes limites, este é um orçamento que tenta redistribuir as dificuldades. Não falo de austeridade de esquerda, porque há uma real devolução de rendimentos. Falo do estreito corredor em que Costa e Centeno podem trabalhar. Dentro desta limitação, que o BE e o PCP querem romper e o PS não, o governo tentou, neste orçamento, fazer escolhas estratégicas. E nessas escolhas limitadas pode-se dizer que este orçamento tem uma estratégia política compreensível.

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