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Os quatro trabalhos dos taxistas

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Se não querem ser esmagados, os taxistas têm de conseguir quatro coisas. Primeira: mudarem rapidamente de representantes, escolhendo gente inteligente, preparada e consciente dos desafios que serão, seja qual for o governo, postos ao sector. Segunda: organizarem-se para promover a modernização do seu negócio. Foram os taxistas os primeiros a compreender que, através do telefone, era possível mudar o serviço que ofereciam e já há excelentes aplicações para concorrerem com a Uber. É levar esse desafio a sério. Terceira: prepararem propostas para alterar algumas regras de regulação dos táxis que foram determinadas noutro tempo e que hoje são excessivas. Começando a cumprir estas três missões urgentes, os taxistas estarão muito melhor colocados para a quarta tarefa: exigirem regras iguais para todos, impedindo que ao lado de um sector totalmente regulado funcionem concorrentes quase sem regulação. Mas para serem eficazes nesta exigência não basta convencerem amigos e familiares. Têm de convencer a opinião pública. Hoje, foi mais uma jornada ganha pela multinacional que os está a destruir

Quando um grupo de pessoas decide protestar na rua contra qualquer coisa não o faz para desabafar. Fá-lo para conseguir convencer o maior número de pessoas da sua razão. Porque, pelo menos em democracia, só quando o consegue fazer é que passa a pressionar, de forma eficaz, os poderes políticos. O efeito contraproducente das manifestações de taxistas não precisa de grande análise. Até para mim, que tenho defendido a justeza de exigir regras iguais a todo o transporte ligeiro de passageiros e não tenho de ser convencido de nada, estas manifestações têm o efeito embaraçante.

Nada desculpa os ataques a motoristas da Uber. E não é apenas porque a violência é sempre inaceitável. É também porque os motoristas da Uber são trabalhadores. Quanto muito, muitos deles serão, como quase todos nós, vítimas de um processo de precarização das relações de trabalho. Como muitos taxistas, que também sofrem a exploração dos seus empresários, tão bem sabem. Atacar motoristas da Uber é um ato de cobardia e de estupidez. É atacar o elo mais fraco da cadeia.

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