Siga-nos

Perfil

Expresso

Trump, a caricatura deste tempo

  • 333

Perante a acusação de que o brutal corte de impostos que propõe ia beneficiar os mais ricos, Trump respondeu: “Os ricos vão criar imensos postos de trabalho. Vão expandir as empresas. (...) Eles estão a deixar o nosso país e, acreditem ou não, estão a deixá-lo por que os impostos são muito altos.” Usou, contra o aumento de impostos para os mais ricos, defendido por Hillary no debate, os mesmíssimos argumentos que por cá se estão a usar. Mas não é apenas nos impostos que se revela o espírito do tempo que os populistas tão bem condensam. Ao longo da primeira parte do debate, Trump Conseguiu resumir, no seu discurso aparentemente incoerente, todo o problema da lógica empresarial aplicada à governação: ela não inclui, como ele deixou sempre bem claro, qualquer tipo de ética política. A busca do bem da comunidade resume-se a multiplicar dinheiro. De resto, é quase amoral. Se consegues escapar aos impostos és esperto, se aproveitas abusivamente as leis cumpres o teu dever para contigo e para com a empresa. Seja como for, fazes o que tens de fazer e por isso és bom. O problema de transformarmos os homens do dinheiro em oráculos políticos das Nações, como fazemos nos dias que correm, é que a amoralidade do capitalismo deixa de ter os freios morais que o impedem de se autodestruir e, bem mais importante, de nos destruir. E não é preciso que o homem do dinheiro seja Donald Trump

Já se sabia que o debate desta madrugada iria ser dos mais vistos de sempre. Porque há um grande entusiasmo com os candidatos? Pelo contrário. São os mais impopulares de sempre. Como me dizia um americano há dois meses, como é que um país com quase 300 milhões de pessoas conseguiu escolher duas de que ninguém gosta? Ia ser o mais visto porque se esperava sangue e porque Donald Trump garante sempre um espetáculo que, não sendo propriamente de qualidade, é animado.

Mas nada como ver o debate para recordar o que é óbvio: ainda há uma diferença entre quem, representando o pior do sistema, sabe do que está a falar, e alguém que, fazendo o número de quem vem de fora, baseia toda uma campanha num discurso que já nem sequer é propriamente populista ou demagogo. A simplicidade com que as coisas são apresentadas roça mesmo infantilidade. Na economia, na segurança e, acima de tudo isto, na política externa, não seria muito diferente perguntar a Trump ou a um miúdo de 12 anos como governar o país. Preocupante é que, na maior potência do mundo, isso não seja óbvio.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)

  • Quem ganhou o primeiro debate presidencial?

    Maioria dos eleitores que assistiram ao vivo ao primeiro frente a frente entre Donald Trump e Hillary Clinton — e muitos internautas — dizem que a ex-secretária de Estado saiu vitoriosa do combate verbal

  • Donald, as mulheres e “ela”

    Os candidatos republicano e democrata à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump e Hillary Clinton, respetivamente, maltrataram-se durante 90 minutos. Um moderador pouco interventivo prejudicou o primeiro debate entre ambos

  • “Não mintas, Donald”

    Esta poderá ser uma das frases do debate desta madrugada (02h em Portugal Continental) entre Hillary Clinton e Donald Trump. A candidata democrata às presidenciais americanas tentará irritar o rival republicano, que se apresentou nos últimos dias descontraído e sem necessidade de realizar qualquer ensaio geral. Mas primeiro lembramos a História

  • Muitas acusações, alguns apartes, nenhuma simpatia

    Hillary apresentou-se como a candidata experiente e responsável que conhece os assuntos e não vai assustar os aliados dos EUA, Trump como o outsider que trará a mudança necessária a uma América farta de decadência. O primeiro debate entre os candidatos presidenciais nos EUA não trouxe nada de imprevisível, inesperado ou incontrolado, antes confirmou aquilo que os americanos sabem deles

  • O fator X das eleições americanas

    A ameaça terrorista pode baralhar a corrida à Casa Branca e beneficiar um dos candidatos. Qual? Respondem peritos em segurança ouvidos pelo Expresso. Um artigo obrigatório em dia de debate Trump / Hillary (é já esta madrugada)

  • Donald Trump e o maior dos conflitos de interesses

    Ao longo de meses, o historial de fraudes, dívidas e negócios arriscados e falhados do magnata do imobiliário tem sido dissecado pelos media. Mas há um caso que ainda não ganhou tração e que, dizem especialistas, representa um risco enorme para os contribuintes americanos