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Classe média, a camuflagem de ricos e desafogados

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Anda aí uma grande confusão sobre quem é de classe média. Ricos e desafogados usam a classe média como camuflagem para defenderem os seus próprios interesses, prejudicando a maioria da classe média, sem voz na comunicação social. A quase totalidade da classe média não é afetada quando se taxa património imobiliário de um, dois e três milhões de euros, como já fizera o governo anterior, apresentando a medida como "social-democrata". A quase totalidade da classe média não afetada (é beneficiada) quando se aumentam os escalões do IRS para diferenciar o que é diferente. A quase totalidade da classe média não é afetada quando se quer cobrar mais aos 1% mais ricos (e foi isso, e apenas isso, que Mariana Mortágua defendeu). Podem dizer que precisamos dos ricos e que por isso não os devemos incomodar com mais impostos e devemos manter um sistema fiscal injusto, baseado quase exclusivamente nos rendimentos do trabalho e no esforço de trabalhadores por conta de outrem com rendimentos próximos da média nacional. Só não pretendam que as dores de muito poucos sejam sentidas por todos

Estava eu a falar com uma amiga quando ela me diz, a propósito de uma possível mudança de escalões do IRS que não ponha no mesmo barco remediados e desafogados, que nós, eu e ela, éramos um excelente exemplo do que é a classe média em Portugal. Empalideci. Talvez tenha uma vantagem sobre a minha amiga: eu venho da verdadeira classe média nacional, que contava escudos ao fim do mês e a quem, apesar de não faltar o essencial (o que nos afastava da pobreza), faltavam escudos e sobrava mês. Sei bem que hoje, não sendo rico, não sou o melhor exemplo do que é a classe média portuguesa.

O que intuía confirmam os números. Verificada a coisa, pertenço, sem fortuna nem nada que se pareça, aos 2% mais ricos, olhando exclusivamente para o rendimento sujeito a IRS. E pertenço porque vivo num país pobre. Num pais pobre a classe média vive com dificuldades e os pobres vivem abaixo dessas dificuldades. Para além de ser pobre, Portugal é um dos países mais desiguais na distribuição de rendimento. Os impostos são quase exclusivamente cobrados aos rendimentos do trabalho. E como os os trabalhadores são pobres, cobra-se sempre aos mesmos.

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