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Quando o pezinho de Passos foge para o chinelo

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Ao apresentar um livro que faz revelações não autorizadas e deontologicamente ilegítimas sobre vida privada de figuras públicas Passos Coelho não se limita a associar-se a um ato reprovável. Dá-lhe legitimidade pública. Porque a privacidade de Paulo Portas, Morais Sarmento, Pedro Santana Lopes e outros não vale menos do que a sua, Pedro Passos Coelho legitima a devassa futura da sua própria vida privada. Sem qualquer limite, como acontece no livro de José António Saraiva. O direito à privacidade e à intimidade fazem parte de valores fundamentais da vida em sociedade e em democracia e os atores políticos têm o dever de os proteger. Alguém que sanciona e participa numa violação descarada e abjeta destes valores é indigno de ocupar cargos políticos. Alguém que apresenta um livro onde se revelam pormenores da vida íntima e sexual de aliados e adversários seus não pode ter funções de responsabilidade pública. Passos Coelho tem de recusar o convite que aceitou. Se insistir, estreia uma nova forma de fazer política. E tem de ser responsabilizado por isso

Já ontem escrevi aqui tudo o que tinha a escrever sobre a abjeção publicada por José António Saraiva. O que ela faz ao jornalismo, as suas implicações éticas e deontológicas e a impossibilidade dos jornalistas deixarem passar este exercício que, na minha opinião, não tem paralelo na comunicação social portuguesa. E, como ontem expliquei, o livro de Saraiva, tendo em conta as condições em que recolheu a informação que divulga, está sujeito ao Código Deontológico do Jornalista. Tenha carteira profissional ou não.

Não abordei ontem a participação de Pedro Passos Coelho no lançamento de “Eu e os políticos”. Porque quero separar os temas e impedir que uma mão lave a outra. A gravidade da publicação deste livro, no que ela faz ao jornalismo e à vida pública em Portugal, não resulta da participação do ex-primeiro-ministro e líder do maior partido português no seu lançamento.

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