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Para acabar de vez com a praxe

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A praxe representa o conformismo que a Universidade deveria combater. Esmaga a capacidade de pensar, resistir e questionar a autoridade, que a Universidade deveria promover. Ela estreia a entrada de novos estudantes num espaço onde deveriam aspirar à elevação cultural rebaixando-os à mais abjeta imbecilidade. A praxe representa tudo o que os espíritos livres devem recusar. Não pode ser um símbolo de promoção académica. O ministro da Ciência e Ensino Superior quer que as instituições de ensino superior deixem de reconhecer as comissões de praxe e defende programas de recepção aos novos alunos centrados na cultura e na ciência. Infelizmente, dos reitores vem apenas a mensagem tímida de que se combaterão os abusos, não percebendo que a praxe é, ela própria, uma pedagogia para o abuso. Que o problema da praxe não é aquilo que a lei já pode combater. Disso tratam os tribunais. O problema da praxe é a normalização da obediência cega e a valorização do autoritarismo boçal. Para a combater precisamos das estruturas que dirigem a Academia. Isto, claro, se as comissões de praxes não mandarem também nelas

Durante anos de laxismo, autoridades académicas e políticas permitiram a lei da selva no início de cada ano académico. Grupos organizados impusessem aos estabelecimentos de ensino superior falsas tradições iniciáticas, em que a boçalidade, o culto da obediência e a promoção das figuras mais imbecis de cada faculdade ditaram uma cultura que contraria o que deveriam ser os princípios da Academia.

A coisa foi-se aprimorando e, em universidades sem tradição de coisa alguma, formaram-se comissões de praxe que, em alguns casos, tratam de negócios de forma obscura, sem qualquer escrutínio público e a roçar os limites da lei. Com a cumplicidade de pessoal docente, de uns poucos alunos resistentes mas passivos e, muito mais grave, dos reitores, a praxe tornou-se num sinal de distinção das instituições Académicas.

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