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O otimismo de Stiglitz

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Stiglitz diz que sair do euro teria efeitos muito negativos, mas ficar no euro seria ainda pior. É a escolha entre uma forte crise que cria as condições para um crescimento futuro ou uma crise que será um modo de vida. Portugal deve sair do euro. Essa saída deve ser negociada e não inclui apenas os portugueses. É quando Stiglitz fala de negociações para sair do euro que percebemos o excesso do seu optimismo. Ao primeiro sinal de vontade de sair do euro a Alemanha, com o apoio dos seus aliados, o silêncio dos mais fracos e a verborreia inconsequente de França e Itália, faria a Portugal o que fez aos gregos. A zona euro já não é uma união voluntária de Estados, mas uma armadilha de onde não se sai vivo. E é por o saber que os portugueses nem se atrevem a pensar no assunto e os gregos ficaram num beco sem saída. Estamos num dilema: ou a coragem de arriscar a morte súbita, ou a cobardia de aceitar a morte lenta. De nada valem nacionalismos fanfarrões, para nada servem tontas paixões europeístas. Temos o dever de não deixar aos nossos filhos o legado de miséria que significaria a permanência numa moeda que nos mata aos poucos. A questão é como sair

Em Portugal, muito mais do que noutros países, as palavras dos estrangeiros sobre nós dão sempre notícia. E isso é absurdo. Mas às vezes as coisas óbvias, quando são ditas de fora, tornam-se mais evidentes aos olhos de todos. E com as coisas acertadíssimas que o Nobel da economia norte-americano Joseph Stiglitz tem dito sobre a Europa, é interessante ouvir o que pensa sobre como Portugal pode sair do “pântano” em que está.

Na entrevista que deu à Antena 1, a propósito do seu livro “The Euro: How a Common Currency Threatens the Future of Europe”, Joseph Stiglitz foi arrasador para a União Europeia e as suas instituições e poderes. E, no entanto, só disse coisas que todos temos o dever de saber. Que o euro retirou aos Estados mecanismos de ajustamento – as taxas de câmbio e as taxas de juro – e que a Europa contou que tudo poderia depender de políticas orçamentais. Que foram impostos limites cegos ao défice que impedem políticas em contraciclo que favoreçam o crescimento económico em tempo de crise. Que o euro nasceu num determinado momento, em que as convicções ideológicas ditaram a lógica a que hoje está presa. Que as políticas monetárias do BCE, que se teria de concentrar mais na inflação do que com o emprego, não chegam para tirar a Europa da beira do precipício, onde brinca há mais de cinco anos arriscando-se a uma nova crise de dimensões arrasadoras.

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  • Os americanos são todos maus, salvo os que são bons. A frase ‘la paliciana’ pode se aplicada a uma série de pessoas que têm os norte-americanos na pior conta do mundo, exceto aqueles que, como Noam Chomsky, nuns aspetos, Michael Moore, noutros, ou Joseph Stiglitz e Paul Krugman na Economia defendem posições com as quais concordam. Há, no entanto, um ponto comum a quase todos os norte-americanos, liberais ou republicanos, mais à esquerda ou à direita: o seu desconhecimento bastante acentuado da história dos outros países, nomeadamente dos mais pequenos