Siga-nos

Perfil

Expresso

O destino do chavismo estava marcado

  • 333

A simpatia que sinto por qualquer projeto político que, nascido da vontade democrática expressa em eleições livres, se proponha combater a desigualdade e a antipatia que sinto por quem tenta golpes militares contra governos eleitos não podem ignorar a criação de condições para novas formas de dependência e de autoritarismo. Não é possível construir uma sociedade mais justa mantendo uma economia extracionista, exclusivamente baseada na exploração de recursos naturais e totalmente dependente de ciclos de preços que não se controlam. Ainda menos quando, por incompetência, se arrasa tudo o que sobra da economia doméstica. Não é possível aprofundar a democracia quando tudo se baseia nos humores e na vontade de um líder carismático ou de um sucessor promovido na sua sombra. Não há igualdade sem sustentabilidade económica, não há democracia com líderes que se julgam iluminados. O futuro do chavismo dependia totalmente da vontade de Chavez e de condições económicas exógenas ao país. Não se pode garantir a autodeterminação de um povo quando nada do que conta é controlado pelo povo

Foi há muitos anos que, ainda colunista da defunta "A Capital", escrevi o meu primeiro texto sobre o chavismo. Já então lamentava o meu próprio pessimismo. Sem nunca ter ido à Venezuela, o que limita a minha compreensão das circunstâncias, eram certas três coisas para mim: que décadas de corrupção, abuso e desigualdade desqualificavam a oposição venezuelana para se apresentar como uma alternativa séria; que o governo de Hugo Chaves, mesmo já com alguns sinais evidentes de atropelos à democracia, era legitimo; e que a tentativa de golpe militar contra ele, apoiada de forma ativa pelas televisões privadas, mostravam a incapacidade da direita venezuela aceitar o voto popular.

Dito isto, outras duas coisas eram evidentes: que estávamos perante um projeto político baseado quase exclusivamente numa liderança carismática (e de perfil caudilhista) e que a redistribuição da riqueza se basearia exclusivamente na exploração dos recursos do petróleo, não havendo qualquer esforço para mudar a estrutura económica do país. Perante isto, era fácil adivinhar um fim trágico para o chavismo e para a Venezuela.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)