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A guerra dos drones

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Eu sei que parece terrível escrevê-lo, mas é indispensável que, numa guerra, os dois lados tenham baixas. E é fundamental que quem mata veja a morte, que quem destrói veja o resultado da destruição. O debate não é novo mas com os drones chegámos ao limite da higienização da guerra. Ela transforma-se num jogo, sem medo, sem cheiro, sem sangue, sem traumas para um dos lados. E os traumas dos veteranos são a única memória que sobra aos vencedores para que a guerra não se banalize. Para além dos EUA, que já abateram fora do teatro de guerra e de forma seletiva milhares de pessoas com drones no Paquistão, na Líbia, no Iémen ou na Somália, também Israel, Reino Unido, Irão, Iraque, Paquistão e Nigéria estão a implementar este tipo de armamento. Não é difícil: a China vende-os por um milhão de dólares por unidade. A questão é saber o que será a guerra quando as forças mais poderosas não tiverem baixas, quando os militares não a sentirem e quando a fronteira entre a guerra e a paz já nem sequer fizer grande sentido. A guerra é terrível, todos sabemos. O que será quando deixarmos de o saber?

No Paquistão, na Líbia, no Iémen e na Somália os EUA mantêm uma guerra invisível aos nossos olhos: a guerra dos drones. E o primeiro ano de Obama no cargo coincidiu com um enorme desenvolvimento do programa de drones armados. Segundo a New America Foundation, o presidente Bush realizou 48 ataques no Paquistão com esta tecnologia de que resultaram entre 377 e 558 mortos. Obama terá realizado 355 ataques de que resultaram entre 1907 e 3067 mortos.

É verdade que o auge dos drones foi em 2010 e desde então a sua utilização tem vindo a diminuir. E a transparência também tem vindo a aumentar, levando a um debate mais sério sobre as consequências deste tipo de armamento. Um debate que se mantem e que tem levado à produção de muitos trabalhos de investigação jornalística e académica, a controvérsias políticas e jurídicas e à publicação de muitos livros e artigos sobre o tema. Em “The Drone Presidency”, o jurista e académico da Universidade de Georgetown David Cole faz, na última edição da New York Review of Books, um balanço dos mandatos de Obama neste assunto específico. É deste trabalho, que se baseia em várias obras de referência sobre o tema, que retiro parte da informação que aqui deixo.

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