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Se só cabe uma França em França...

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A guerra aos burquínis e as leis contra o véu exibem a incapacidade dos franceses integrarem na sua identidade nacional culturas que lhe são estranhas. Uma permanente tentativa, sempre condenada ao fracasso, de preservar uma identidade pura que exclui cada vez mais cidadãos franceses de origem estrangeira. A identidade unidimensional que a França procura para si mesma não comporta a diferença. Este é o momento em que esclareço que não estou a defender o multiculturalismo. O multiculturalismo é o falhanço da integração. E a integração é o oposto da assimilação. No meio disto está o cosmopolitismo, que partilha identidades que se contaminam. Este é o salto mais difícil de conseguir: recusar o modelo multiculturalista que transforma cada país num supermercado de culturas que coexistem mas não se tocam e o modelo da absorção, que insiste em tentar apagar a cultura de origem por decreto, julgando que por tornar invisível a realidade ela desaparece. Apesar de todos os seus fracassos, os EUA dão algumas respostas. Mas têm a seu favor a juventude. Quando se é novo a adaptação é mais fácil

Sobre as leis locais que proíbem os burquínis em algumas cidades balneares francesas já escrevi no Expresso deste fim de semana (podem ler AQUI). O debate sobre este assunto devia restringir-se a uma questão simples: devem ser muito estreitos os limites do poder do Estado, em sociedades democráticas e laicas, para determinar uma coisa tão pessoal como a roupa que cada um usa. Até agora só se conhecia o interdito ao nudismo fora das praias especializadas. Em vez de estarmos a diminuir esta intromissão na vida privada dos cidadãos estamos a aumentá-la.

Também merece debate esta estranha ideia de que se podem libertar mulheres à força, passando a autoridade dos maridos para a polícia, oficializando o poder público sobre o seu corpo e negando a possibilidade real delas próprias serem conservadoras. No fundo, o Estado francês trata a mulher muçulmana como o marido: ela é incapaz de se proteger e nós decidimos o que é melhor para ela. Incluindo o que deve vestir. Ela é um ser passivo, incapaz de se libertar e de tomar as suas decisões. Sobre isso escrevi na sexta-feira (pode reler AQUI).

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