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Da derrota do Syriza ao “arrependimento” do Bloco

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Não me interpretem mal. Não estou a julgar o Bloco ou o PCP. Também eu acho que a União é irreformável, que o euro é uma catástrofe sem arranjo e que chegará um momento em que a geringonça terá um embate com as instituições europeias. E que esse embate pode ser fatal. Mas só encontro uma diferença fundamental entre o Syriza e o Bloco: é que o Syriza teve votos para governar, assumiu esse risco e foi derrotado no confronto com a Alemanha, o Bloco não teve votos para governar, não quis entrar para o governo e mesmo sem ter havido um verdadeiro confronto já sente a necessidade de dar sinais de “arrependimento” retórico. Partilho com o Bloco e com o PCP a descrença total na seriedade das regras europeias e até na capacidade da União se regenerar. E isso afasta-me do que ainda sobra de um europeísmo retórico e inconsequente que domina os socialistas. Afasta-me do BE e do PCP este jogo de palavras, em que nos dizem que é preciso romper com a União sem nunca explicarem ao certo como se faz isso neste momento sem rebentar com o País. Eu não sei. Talvez a estratégia de Costa, de ir passando pelos pingos da chuva, não tenha grande futuro. Mas é mais honesta: se não sabes como vais fazer uma coisa talvez seja melhor não dizeres que a vais fazer

Transformado em título de forma um pouco maldosa, que, por experiência, a líder do Bloco deveria prever e que, por honestidade, o jornalista deveria evitar, Catarina Martins disse ao “Público”, no último fim de semana, que todos os dias se arrepende da geringonça. Na realidade, acrescentou que “faz parte”. E explicou: “Todos os dias sou confrontada com os limites da geringonça. Isso custa. O que não é mau, é o que temos de fazer.”

O “arrependimento” de que Catarina fala é, portanto, intrínseco à política. A toda a que muda ou quer mudar a realidade. Aquela que sente que fica sempre aquém do que queria. Ao sentir necessidade de o dizer a líder do Bloco de Esquerda apenas expressou aquela fronteira em que está o BE: teve de fazer parte da solução mas sente-se desconfortável nesse papel. Desconforto que os seus opositores e os opositores da “geringonça” tentam sempre explorar.

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