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É grave mas não ofende a honra patriótica

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A imunidade é a única proteção que os diplomatas têm perante represálias contra os seus Estados. E isso tem de incluir, como é evidente, os seus familiares. Não podemos partir do princípio que todos os diplomatas trabalham em países democráticos em que existe Estado de Direito. E mesmo quando existe, os seus familiares podem ser usados contra um determinado Estado. Mas a vida de um menor, o sofrimento dos seus pais, a noção de justiça e a defesa do instituto da imunidade diplomática exige uma solução rápida para o problema. É dever do Iraque, caso se confirmem as razões para isso, levantar a imunidade dos filhos do embaixador. O que se dispensa? Fazer deste trágico episódio um assunto de honra patriótica e, menos ainda, mais uma oportunidade para generalizações absurdas. É um assunto da justiça que envolve pessoas com proteção diplomática que aparentam ter crescido numa cultura de impunidade que é muito comum nos jovens das elites das ditaduras. Cabe à justiça resolvê-lo e à diplomacia tentar que essa proteção desapareça. Mais nada

O caso de violência em Ponte de Sôr, que envolveu dois adolescentes iraquianos, filhos do embaixador em Portugal, e um adolescente de 15 anos que esteve até ontem em coma induzido está a gerar grande revolta. Ele tem tudo para isso. Dois filhos estrangeiros ricos, filhos do embaixador de uma ditadura, protegidos pela imunidade diplomática, desfazem um miúdo português e deixam-no à beira da estrada. Não há melhor cenário para uma revolta patriótica. Se juntarmos a isto o facto de serem de um país muçulmano (não sei se eles o são), é a cereja em cima do bolo.

Não estive, nenhum de nós esteve, na cena do crime. Devemos evitar, num confronto entre adolescentes, mais um julgamento mediático. Quando há imagens, ainda se pode compreender. Num caso destes, sem outra prova que não sejam as palavras de cada um e os resultados trágicos do confronto, seria bom deixarmos que seja a polícia a investigar. Os indícios apontam para a culpabilidade dos dois gémeos, mas é importante habituarmo-nos a esperar por investigações a sério.

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