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Nossa Pátria amada

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Esta vitória foi importante para Portugal? Foi totalmente indiferente para o nosso futuro colectivo. Assim sendo, faz sentido este ter sido, como Nação, um dos dias mais felizes dos últimos anos? Faz todo o sentido. Se a felicidade fosse pragmática era bem infeliz, a coitada. Não há felicidade, a de cada um de nós e a de nós juntos, sem prazeres imediatos. Todas as Nações precisam destes momentos de reencontro. Não porque isto mude o que elas são ou contribua para serem melhores. Apenas porque é neles que descobrem que as une uma identidade, mesmo que imaginária, e um conjunto de afectos, mesmo que aparentes. Ao que esta descoberta mobiliza chamamos patriotismo. É estúpido cantar emocionado o hino nacional, no início de cada jogo, e depois negar a importância dessa emoção na política. Quando deixarmos de sentir vergonha em falar da nossa “Pátria amada”, porque ainda a associamos ao pior da nossa história, talvez consigamos mobilizá-la para o melhor que ainda podemos fazer: um lugar onde as pessoas vivam com dignidade, liberdade e, seja qual for a sua origem, cidadania plena. O patriotismo é um valor que se pode encher com muitos outros, bons ou maus. Mas o sentimento de pertença que convoca, aquele que nos enche de felicidade por estes dias, nem pode ser ignorado nem deve ser desperdiçado

Por princípio, não escrevo sobre futebol nesta coluna. Porque o faço noutro jornal e porque considero que devemos evitar confusões: à política, que é o tema que aqui trato, o que é da política, à bola o que é da bola. Mas ser campeão europeu não é coisa que aconteça todos os dias. Não é, na realidade, coisa que aconteça algum dia. Podemos orgulhar-nos de ser os primeiros portugueses a ter seleção sénior de futebol a conquistar algum título. Ainda assim, não é sobre futebol que vou escrever.

Ninguém diz “vejo futebol para esquecer”. Mas podia. A vitória do nosso País ou do nosso clube é como uma bebedeira. A euforia que senti ontem e que ainda hoje me acompanha não podia ser mais real. E não podia ser mais injustificada. Quando passar o efeito vai estar tudo na mesma. Ao contrário dos momentos que mudam as nossas vidas coletivas ou pessoais, ao contrário das alegrias amorosas ou familiares, das conquistas políticas ou científicas, a vitória no desporto só não é inconsequente para quem esteve diretamente envolvido nela.

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