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Não são as metas, é a obediência

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A mensagem é clara: ou voltam à subserviência total, aplicando as “reformas” independentemente dos seus efeitos, ou nós nos encarregarmos de, primeiro com palavras e depois com atos, minar a confiança no vosso país. A utilização destas sanções, pela primeira vez na história da União, para impor determinadas “reformas” e não para punir desvios orçamentais é uma forma de manter um país não intervencionado na mesma situação em que estava quando era intervencionado. Transforma a excepcional perda de soberania imposta durante a intervenção da troika num estatuto permanente. E assim impõe a Estados políticas que não estão inscritas em qualquer tratado. Passou a ser proibido a países como Portugal aumentarem o salário mínimo nacional, por exemplo. Se assim for, qualquer governo que não caia no goto da Comissão e da Alemanha passará a estar impedido de tomar qualquer decisão. Basta fazer depender a aplicação de regras da aceitação de determinadas políticas

O presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), Klaus Regling, disse, no final da semana passada, que o “o único país que preocupa é Portugal, independentemente do Brexit”.Não vou desenvolver aqui o absurdo das suas prioridades. Nicolau Santos já o fez com toda a clareza. Interessam-me mais as razões que o senhor apresenta para a sua preocupação.

Para além de criticar o aumento do salário mínimo (o que diz bem do que considera ser a via para a nossa competitividade) , o presidente do EMM avisa que o governo pode vir a ter de resolver problemas no sector financeiro com recurso a fundos públicos. Problema que não o preocupou quando deu os "parabéns” a Portugal pelos “resultados positivos” conseguidos pelo anterior governo, em abril do ano passado, depois de um resgate a um banco e logo antes do resgate a outro. Fica claro, pela total incoerência, que o único critério de avaliação que interessa aos alemães e às instituições europeias que dominam é a obediência de cada governo. Como qualquer poder imperial.

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