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A União explicada por ela própria

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Juncker soltou toda a sua raiva: “Já agora, estou surpreendido que esteja aqui. Lutou pela saída. Os britânicos votaram a favor da saída. Porque está aqui?” Os deputados, nem mais nem menos eleitos do que Nigel Farage, aplaudiram. Não é nada quando comparado com o momento em que em Bruxelas se decidiu substituir Berlusconi e Papandreou por Monti e Papademos, sem perder tempo com leviandades democráticas. Não é nada quando comparado com o plano organizado para, logo depois da eleição de Tsipras, sabotar o sistema bancário grego até ver o primeiro-ministro grego rastejar. Mas, ainda assim, ouvir um presidente da Comissão Europeia dizer a um deputado eleito que já não devia estar no parlamento de que faz parte é, do ponto de vista simbólico, uma coisa que se espera numa república das bananas, não numa união onde juntam algumas das mais antigas democracias do mundo. Claro que não foram este tipo de gestos que determinaram o resultado do referendo britânico. Mas tornaram tudo mais fácil

Jean-Claude Juncker é um político medíocre que sucedeu a outro político medíocre, porque os poderes que tudo decidem Bruxelas, venham do governo de Berlim ou sejam representados por um enxame de lobista, preferem tolos nos lugares-chave. Os seus pequenos gestos exasperados com o topete dos britânicos exibe a natureza antidemocrática da burocracia europeia.

Estava o presidente da Comissão Europeia a discursar perante o Parlamento Europeu. Saiu uma frase de circunstância, em francês: “Temos de respeitar a democracia britânica e a decisão que tomou de...” Ouviram-se aplausos, sobretudo vindos da ala direita. Eram os eurodeputados do UKIP, um partido que começou por ser apenas conservador e antieuropeísta e que lentamente ocupou o espaço da extrema-direita a que o BNP, demasiado agressivo, nunca conseguiu dar grande relevância. Claramente agastado, o homem que nenhum europeu elegeu e que uma parte significativa dos europeus nem sequer conseguirá repetir o nome, apontou o dedo em riste para Nigel Farage e disse, agora em inglês: “é a última vez que aplaude aqui”. Risos e aplausos. Até aqui, seria apenas uma humorada e vingativa constatação de facto. Nada de errado.

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