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Inimigo da Europa é o incendiário Schäuble

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O comportamento do incendiário de Schäuble não resulta de falta de jeito. Corresponde a um padrão. O objetivo é provocar uma crise de confiança dos mercados que leve um Estado vagamente insurreto a vergar. Escusam de apontar o dedo a Nigel Farage, Marine Le Pen, Boris Johnson ou Pablo Inglesias. Escusam de procurar na Grécia ou em Inglaterra as sementes da destruição da União. O verdadeiro inimigo do projeto europeu é este senhor. É a tradição expansionista e profundamente antidemocrática que ele representa e que não hesita, em nome dos interesses alemães, em praticar uma política de terra queimada. Por mais europeístas que sejam, digam-me lá se ao ouvir Schäuble não sentem alguma simpatia pelos britânicos? Dirão que eles nem têm grandes razões de queixa e até têm razão. Mas quer o resto da Europa viver debaixo da pata deste irresponsável, que nem Merkel parece conseguir controlar?

Pouco a pouco os países da União Europeia vão tentando perceber o que lhe está a acontecer. Pela primeira vez na sua história, que não é assim tão curta, há um Estado que decide abandoná-la. Não fossem as consequências reais, bastariam as simbólicas. Depois de décadas de alargamentos sucessivos, fica a sensação de que entrámos na fase descendente. Uma sensação totalmente justificada.

Os primeiros sinais foram todos péssimos. As reações de histeria antibritânica e a ausência de reflexão política. A reunião de seis “fundadores” que, em nome da “nossa Europa” (a deles), deixava claro que à maioria dos Estados membros cumpre o papel de figurantes. A reação de Jean-Claude Juncker à presença no Parlamento Europeu dos eurodeputados que fizeram campanha pelo Brexit (deixo isto para amanhã). A notícia que o iluminado ministro das Finanças alemão já tinha, qual imperador, um plano para a criação de uma “nova União Europeia”. Que incluía, veja-se bem até onde vai o delírio antidemocrático, uma espécie de entidade independente de peritos que passaria a supervisionar os orçamentos dos Estados, em vez da Comissão Europeia. Menos democracia, menos inclusão. Tudo ao contrário do que era preciso dizer.

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