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Espanha: tarde demais para a geringonça

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António Costa percebeu que começávamos a assistir aqui a uma transformação eleitoral semelhante à que está a acontecer em vários países do sul, onde são os partidos mais à esquerda que captam eleitores descontentes. Antecipou-se, apanhando o Bloco e o PCP com força suficiente para terem alguma coisa a perder mas sem força para fazer o que Iglesias fez em Espanha. Entendeu-se com a esquerda a tempo de a liderar. Porque a alternativa seria vir a ser obrigado a fazer o papel que o SPD faz hoje na Alemanha ou que o PSOE pode vir a ser obrigado a fazer em Espanha. Bons amigos de ocasião, sobretudo de direita, apelam à abstenção sistemática para a viabilização de mais um governo de Rajoy, tornando o PSOE numa inexistência política. Depois de anos a pedirem aos socialistas que não o fossem, agora pede-se que não existam. A inteligência de António Costa foi a de mudar a estratégia do PS antes que mudasse o sistema partidário e o PS ficasse numa situação muitíssimo mais frágil, como está a acontecer a muitos partidos socialistas. Tomou a iniciativa antes que o contexto o passasse a ser um beco sem saída em que ficou Sanchez. Quem acusa Costa de estar refém do resto da esquerda devia olhar para Espanha e para a situação do PSOE

O Partido Popular subiu em deputados em relação às eleições que decorreram há seis meses e, mesmo com enorme aumento da abstenção, de votos. Continua a ser trambolhão em relação às eleições que o levaram ao governo mas, perante os escândalos em que o partido tem estado envolvido, que numa situação normal levariam à sua implosão, não deixa de ser assinalável.

O PSOE afunda-se mais um pouco, afastando-se do PP e deixando que o Podemos se aproxime dele em representação parlamentar. O Podemos não rentabiliza a aliança com a Esquerda Unida e perde muitos votos. Mas no parlamento fica melhor do que estava, aproxima-se do PSOE e deixa o Ciudadanos para trás. Mesmo que hoje este resultado seja apresentado como uma derrota, muito por causa das expectativas criadas pelas sondagens, não deixa de ser extraordinário que uma força acabada de chegar se tenha imposto de tal forma que resiste à pressão causada por seis meses de ingovernabilidade em que o próprio Podemos surgiu como o principal problema. O Ciudadanos saiu do grupo da frente e não pode ambicionar a ser mais do uma espécie de CDS do PP.

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