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E a culpa dos jornalistas?

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A crítica que é devida a Ronaldo torna-se mais difícil quando o comportamento sem regras de alguma comunicação social conta com o silêncio cúmplice dos jornalistas. É evidente que o que Gabriela Canavilhas escreveu no seu twitter, até pelas suas responsabilidades políticas, é inaceitável. Mas também é verdade que o jornal "Público" aproveitou a frase da deputada para não responder plenamente pelos erros cometidos. Os jornalistas, que estão onde devem estar na defesa da liberdade de imprensa, estão cada vez mais ausentes do debate sobre a qualidade do jornalismo que se faz. Isso resulta da crise económica da imprensa e da proletarização dos jornalistas. A aflição reduz-se a exigência. Só que não é possível discutir a liberdade de imprensa sem a responsabilidade da imprensa. Não basta o papel de vítima quando se recusa o papel de ator

O que Cristiano Ronaldo fez está errado. Não é o mesmo do que uma ameaça, não é o mesmo do que censura. E, ao que parece, fez a quem não cumpriu regras pré-determinadas. Que não as cumpriu para perguntar nada, naquele estilo de pé de microfone que é comum em alguns jornalistas de televisão: perguntam nada para terem nada como resposta e assim encherem a emissão de nada. Ou seja, não estava propriamente em causa a corajosa busca da verdade. É preciso, por isso, muito esforço para transformar isto num atentado à liberdade de imprensa. Atentados à liberdade de imprensa são coisas sérias, não são faits divers diários.

Mesmo assim, pegar num microfone de um jornalista e atirar para um lago é mesmo errado. Fosse um ministro ou um deputado a fazê-lo e havia um levantamento nacional de indignação. Sendo Cristiano Ronaldo, tudo é mais leve. O que não é totalmente absurdo: um político, um empresário ou um juiz, por exemplo, têm instrumentos censórios que um futebolista, por mais popular e rico que seja, não tem.

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