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Demasiado estúpido, até para esta Europa

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Durante vários anos Bruxelas fechou os olhos ao défice excessivo de um estado dirigido por um governo que obedecia sem negociar. Um dia, esse governo foi substituído por outro, que aparentemente lhe é menos simpático e lhe faz alguma frente nas negociações. Imagine-se que Dijsselbloem ganhava o braço de ferro institucional e a Europa descobria, pela primeira vez, que se podem aplicar sanções, penalizando o governo menos simpático por resultados do governo que fez o que eles exigiram. Isto, quando todas as previsões indicam que, pela primeira vez em muitos anos, os tais 3% serão cumpridos. As sanções tornariam esse cumprimento improvável, criando um problema que não existia a quem cumpre depois de facilitar a vida a quem não cumpriu. Se tudo isto acontecesse, apenas para o senhor Schauble poder exibir mais uma vez a sua testosterona, não sobraria qualquer dúvida sobre a irresponsabilidade reinante. Seria demasiado estúpido. Até para esta Europa

Nunca foram aplicadas sanções a ninguém pelo não cumprimento das metas orçamentais. Pelo contrário, até foram suspensas as regras quando o incumprimento reiterado dos limites do défice por parte da França e da Alemanha levariam à sua aplicação. Confesso que tenho estado descansado em relação à possibilidade de se aplicarem sanções a Portugal por violação do défice excessivo em 2015. E assistido com algum gozo às várias jogadas mediáticas dos responsáveis políticos por este défice para se tentarem livrar da batata quente.

Durante os últimos anos Portugal não cumpriu as metas do défice. E está longe de ser o único. A balda é geral e as ameaças surgem ao sabor dos humores em Berlim e Bruxelas, na infernal constelação de instituições formais e grupos informais. No caso português havia, como é sabido, uma grande cumplicidade política e ideológica entre o governo anterior e grande parte dos comissários e ministros das finanças europeus. Apesar do domínio do PPE nas instituições europeias, isto era, de facto, independente da famílias políticas. Os países do norte da Europa estavam satisfeitos com o um Estado que fazia o que lhe diziam sem qualquer tipo de resistência e até se oferecia para ir mais longe.

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