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Caixa: os administradores e o que interessa

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Entre 1998 e 2008 a CGD entregou ao Estado 2,7 mil milhões de euros em dividendos. O BPN, o BES ou Banif não entregaram um cêntimo. Quando as coisas correram bem a Caixa deu dinheiro ao Estado, quando correram mal custou dinheiro ao Estado. Nos privados, quando correram bem deram dinheiro aos acionistas e quando correram mal custaram dinheiro aos contribuintes. Concordo que a Caixa tem estado a léguas da cumprir o seu papel de banco público. E isso leva à segunda parte da conversa: o modelo de governação da CGD. A CGD não terá mais administradores do que a generalidade dos bancos. Mas é difícil compreender a necessidade de tantos administradores não executivos quando há apenas um acionista. O sistema anterior de remuneração era absurdo: recebiam a média do salário dos últimos três anos. Agora haverá uma comissão de remunerações que determina os salários, tendo em conta o mercado e as funções de cada um, como em todos os bancos. Mas não se poderia assumir, através do pagamento de senhas de presença, a função de serviço público dos administradores não executivos, sem experiência no sector financeiro? A pergunta tem de ser esta: como ter a mais competente das administrações para gerir um banco com objetivos diferentes dos privados? Este debate fica sempre a meio. Umas vezes esquecem a competência, outras a diferença, quase sempre as duas

Anda por aí grande celeuma por causa da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos. Mais dinheiro para os bancos, acusam alguns dos que nos explicaram, nos últimos anos, que se assim não fosse tudo teria sido bem pior. Mas é importante, antes de mais, separar as águas. A recapitalização da Caixa não é “mais dinheiro para os bancos”. É o acionista fazer neste banco o que os restantes fizeram nos seus. Por imposição europeia, a CGD tem de cumprir os mesmos rácios dos outros bancos. Impedir a sua recapitalização pelo acionista levaria a um beco sem saída. Um acionista não pode ser impedido de se comportar como tal. Isto parece-me óbvio.

Há uma diferença fundamental entre o dinheiro posto na CGD e nos outros bancos. Entre 1998 e 2008 – quando a crise financeira ditou o colapso de todo o sistema bancário – a CGD entregou ao estado 2,7 mil milhões de euros em dividendos. Só nesse último ano de normalidade o Estado arrecadou 300 milhões por ser acionista da Caixa. O BPN, o BES ou Banif não entregaram um cêntimo. A diferença é esta: quando as coisas correram bem a Caixa deu dinheiro ao Estado, quando correram mal custou dinheiro ao Estado. Já nos bancos privados, quando correram bem deram dinheiro aos acionistas e quando correram mal custaram dinheiro aos contribuintes.

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