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Vou ao SNS para alinhar os chacras

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As Finanças aceitarem durante quatro anos uma isenção de IVA para depois virem exigir o seu pagamento com juros é um assalto. Nisto, os profissionais das terapêuticas não convencionais têm toda a razão. Não a têm na exigência de um tratamento fiscal igual ao da medicina convencional. Se as opções individuais passassem a ocupar o lugar de políticas públicas com base nas evidências científicas possíveis, como cada um acredita no que quer não haveria limites para o disparate. E se eu quiser, com o dinheiro público, trocar o psiquiatra pela bruxa? E se eu quiser que me alinhem os chacras? Ou substituir um medicamento por um copo de água ao preço de ouro? O Estado não é neutro e não reconhece o mesmo valor ao que tem validade científica e ao que resulta apenas da legítima convicção de cada um. É verdade que o ambiente pós-moderno tem favorecido o pensamento não científico. Cada vez mais pessoas não vacinam os filhos e optam por soluções esotéricas para resolver problemas médicos. São sintomas da impaciência com o progresso. Doenças do conforto. Defendi a regulamentação das terapias não convencionais para proteger os consumidores e a saúde pública de perigosos curiosos. Já o passo seguinte, de as equiparar à medicina convencional, seria um recuo civilizacional

Os empresários e profissionais das terapêuticas não convencionais estão a protestar porque a Autoridade Tributária decidiu cobrar-lhes 23% de IVA. Consideram-se descriminados em relação à medicina tradicional. A cobrança está a ser feita com juros e multas relativas aos últimos quatro anos, já que as finanças decidiram agora que esta atividade não se poderia inscrever como isenta. A situação afeta osteopatas, homeopatas e acupuntores, entre outros.

Há uma parte, que me parece a mais relevante e urgente, em que estes profissionais têm razão: as Finanças aceitarem durante quatro anos uma isenção de IVA para depois virem exigir o seu pagamento com juros é um assalto. Pior: foram as próprias finanças que os enquadraram nas atividades de saúde isentas. Por isso, eles não cobraram IVA aos clientes e agora são massacrados pelo fisco. Nisto, os profissionais das terapêuticas não convencionais têm toda a razão.

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