Siga-nos

Perfil

Expresso

O Presidente é refém da Igreja?

  • 333

Apenas dois temas parecem criar algum mal-estar entre a Presidência e o governo: as barrigas de aluguer e os contratos de associação com os colégios privados. Os dois têm em comum a Igreja Católica. Em relação às “barrigas de aluguer”, Marcelo é, como todos nós, fiel às suas convicções e é por isso que as devíamos ter discutido mais na campanha. Bem diferente é o caso dos contratos de associação. O esquema de compensação proposto por Marcelo, perante um ato de gestão onde ele não é chamado a intervir, demonstra que a preocupação do Presidente não envolve qualquer questão de princípio. O que quer dizer que não é apenas em temas morais que a influência da Igreja Católica se sentirá em Belém. Também influenciará o Presidente na defesa dos seus interesses financeiros. Marcelo, o cata-vento independente, não é refém da Igreja do Papa, que foi claro no recado que enviou às escolas católicas. É refém do Episcopado português, que depois de quatro anos de silêncio conivente perante uma crise com consequências brutais ajuda a mobilizar a rua em nome dos seus interesses financeiros. Que terão, em Belém, uma defesa institucional especial

Como tem sido sublinhado pela generalidade dos órgãos de comunicação social, o Presidente da República tem tido uma postura de cooperação com um governo que, por enquanto, deu provas de ter uma maioria que o suporta e que tem respeitado a coabitação institucional. Se algum problema criou, foi pela sua prolixidade. De tal forma que até os seus raros silêncios, por serem raros, são motivo de análise. A garantia de que não haverá problemas até às autárquicas provocou natural mal-estar. Que ele rapidamente corrigiu, não fossem as pessoas pensar que ele estava a dizer que enquanto Passos Coelho se mantiver à frente do PSD o governo está seguro.

Apenas dois temas parecem criar algum mal-estar entre Belém e São Bento: as “barrigas de aluguer” e os contratos de associação com os colégios privados. Os dois têm em comum uma coisa: a Igreja Católica. É sabido que Marcelo Rebelo de Sousa é um conservador e um católico empenhado. Quando foi eleito os portugueses sabiam disso e é com isso que todos contamos. Não há razão para mostrar surpresa. Só quem vota a pensar na simpatia dos políticos é que se pode queixar de ser surpreendido por o que sempre se soube. Como a lei das “barrigas de aluguer” tem de ser promulgada pelo Presidente, a sua opinião é relevante.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)

  • Barrigas de aluguer aprovadas com ajuda da direita. “Passos Coelho teve uma posição corajosa”

    O projeto-lei foi uma iniciativa do Bloco de Esquerda, mas foram 24 deputados do PSD - incluindo Passos Coelho - que tornaram possível que a gestação de substituição fosse aprovada. Teresa Leal Coelho é o rosto social-democrata dessa ponte com a esquerda. No fim da votação desta sexta-feira que aprovou as barrigas de aluguer em caso de doença, fez sinal de vitória com o polegar para Catarina Martins. A líder do Bloco cruzou o hemiciclo para lhe dar um beijinho

  • Por que é que o Estado precisa dos privados na Educação?

    Numa altura em que muito se discute o financiamento do Estado ao ensino privado, o Governo está decidido a não continuar a pagar turmas em colégios quando ao lado existam estabelecimentos públicos com vagas disponíveis. Mas também admite que vai continuar a precisar deste sector. Até para cumprir várias promessas que constam do programa do Governo e que dificilmente conseguiria se contasse apenas com a oferta pública. As áreas agora invocadas para acalmar a contestação do sector particular e cooperativo – pré-escolar, ensino artístico e cursos profissionais – são precisamente aquelas que há muito o Estado subsidia. E que o atual Governo promete continuar a financiar. Eis alguns números. E não são pequenos