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Antes pelo contrário

Convertidos por causa própria

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Num momento de impagável humor, Assunção Cristas espera “que o Governo consiga fazer voz grossa em Bruxelas” e “usar as suas influências, as suas amizades políticas” para evitar sanções por défice excessivo em 2015. Um partido que sempre aceitou que se falasse baixinho em Bruxelas pede para outro ganhar a coragem que ele nunca teve para resolver um problema que ele próprio ajudou a criar. E para isso conta com a solidariedade da família política europeia de quem governa quando a sua própria defende “força máxima” contra Portugal. Já Maria Luís Albuquerque escreveu ao vice da Comissão Europeia para lhe pedir compreensão. Acreditaria tratar-se de patriotismo se não me recordasse do empenho do PSD para tentar convencer colegas do PPE a chumbar o Orçamento de Estado de 2016. Desta vez, Passos, Albuquerque e Cristas sabem muitíssimo bem que eles seriam as principais vítimas políticas de sanção contra o governo português. É a sua própria imagem que os faz, por uma vez, contrariar Bruxelas. Uma boa notícia pelas mais cínicas razões

Portugal está com o credo na boca por causa do défice excessivo de 2015 (4,4% em vez dos 3% exigidos) e das consequências para a sua relação com a Comissão Europeia. Um défice que resulta, como é evidente, da governação desse mesmo ano, quase toda a cargo de Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque. Mesmo os números relativos ao Banif, fundamentais para este défice excessivo, só podem ser atribuídos ao governo anterior, que empurrou o problema para depois das eleições. O próprio Passos Coelho acabou por assumir a responsabilidade deste desvio ao recordar que o que corra mal em 2016 já é da responsabilidade do atual governo.

O Partido Popular Europeu, de que fazem parte o PSD e o CDS, pediu, em carta dirigida ao presidente da Comissão Europeia e assinada pelo seu líder parlamentar, Manfred Weber, que “todos os instrumentos, incluindo os da vertente corretiva, devem ser usados na sua força máxima”. Venham as sanções, portanto. Talvez assim Passos Coelho perceba que, apesar da direita do norte da Europa o deixar sentar-se à mesa, ele não deixou de ser mais um latino em quem não se pode confiar. E que, ao contrário dos alemães e dos franceses, deve ser punido quando não cumpre as metas.

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