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Cheira a véspera de ditadura

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A economia brasileira, cujos fundamentos não foram mudados por Lula e Dilma, estava condenada a derrapar na primeira curva. O abrandamento económico da China e a queda do preço do petróleo chegaram. Agora, o que está em causa é saber quem paga a factura no momento das vacas magras. Canta Caetano Veloso: "A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil." Ignora-lo é ignorar uma parte do combate político que ali se desenvolve. A direita brasileira, apoiada pela elite económica e mediática, queria conquistar rapidamente o poder para garantir que a crise será paga pelos do costume, fazendo regredir grande parte das políticas sociais do PT. À corrupção que o sistema eleitoral e institucional promove e à crise económica vieram juntar-se magistrados ansiosos por protagonismo, incapazes de compreender que não se pode fazer uma “limpeza” com tal violência que faça ceder as paredes de uma casa. É confrangedor perceber que há quem acredite que esta situação explosiva pode ser gerida por um presidente que ninguém elegeu, que está ele próprio envolvido em casos de corrupção e que deve o lugar a um processo de legitimidade democrática muitíssimo duvidosa. Os homens e mulheres que fizeram cair Dilma Rousseff estão a colocar o Brasil à beira de um colapso político. Cheira a véspera de ditadura

Sobre o processo de destituição de Dilma Rousseff a sua mais do que aparente ilegitimidade no sistema político e constitucional brasileiro, já escrevi vezes sem conta. Ontem, um suspeito no Lava-Jato não eleito pelo voto popular substituiu uma das poucas políticas brasileiras que, apesar da sua atual impopularidade, não é suspeita de corrupção e que foi, num sistema presidencialista, eleita pela maioria dos brasileiros.

A razão do impeachment é, para além de muitíssimo duvidosa do ponto de vista jurídico, absurda do ponto de vista político e moral. Um conjunto de deputados maioritariamente suspeito de corrupção não pode fazer cair uma Presidente porque acredita que ela terá cometido um ilícito orçamental menor para a substituir por outro suspeito de corrupção. Isto, claro, se ainda há alguma hierarquia de valores morais a funcionar.

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  • Eu posso perceber a indignação de Dilma Rousseff e dos seus aliados. Afinal, que crime cometeu a presidente (excecionando o crime contra a língua portuguesa que é o de querer ser chamada ‘presidenta’)? Não sou, de modo nenhum especialista em leis brasileiras, mas nenhuma acusação concreta contra ela me convenceu