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Quando o incompetente quer ser fiscal

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O PSD tem uma estratégia na comissão de inquérito do Banif: provocar ruído. Quanto mais ruído houver menos atenção haverá para a questão central: como foi possível arrastar o problema durante tanto tempo? As provas do total conhecimento da situação do banco, da necessidade urgente de intervir e da premeditação em arrastar tudo com a barriga para não perigar a “saída limpa” existem. A incapacidade para explicar a injeção de capitais públicos sem nenhuma medida que os acautelasse também. E a única forma de fazer esquecer esta escandalosa incúria e diluir responsabilidades é preparar manobras de diversão, criando pequenos escândalos e agigantando-os com possíveis queixas judiciais. Não sei se a solução encontrada para o Banif foi, entre as que sobravam, a melhor. Sei que Mário Centeno, com mais ou menos habilidade, foi correndo atrás do prejuízo nas poucas semanas que o governo anterior lhe deixara para resolver o problema e acabou a querer vender a quem sobrava. Que sejam aqueles que criaram este problema a medir milimetricamente cada palavra dita e escrita durante o aperto e a querer transformar isso num processo criminal daria vontade de rir se a conta acumulada para os contribuintes não fosse demasiado penosa de pagar

Há duas teses sobre o que se passou com a venda do Banif. Uma é aquela que todos os sinais deram a entender e que, até há um mês, era a da oposição, da imprensa e a minha: que a Comissão Europeia tinha fechado todas as alternativas ao governo até este ter de escolher o Santander. Há agora uma outra tese, que é o próprio Mário Centeno insinuou: a Comissão Europeia foi fechando todas as alternativas e mesmo depois de se chegar ao ponto até agora conhecido queria ir mais longe, obrigando a uma solução mais drástica. Perante isto, Centeno contou com a ajuda do BCE para conseguir vender o banco ao comprador que as instituições europeias não tinham inviabilizado, como fica bem claro no mail da presidente do Conselho de Supervisão do BCE: “Há outras ofertas pelo Banif, que de acordo com a Comissão não respeitam as regras de União Europeia das ajudas de Estado, e que por isso não podem seguir em frente. (...) A Comissão Europeia foi muito clara neste aspeto, por isso, recomendo que nem percam tempo a tentar fazer passar essas propostas."

O mail deixa portanto claro que a questão não era se se favorecia o Santander, era se se vendia ou não. E vendendo, teria de ser à alternativa que sobrava, sendo para isso necessária intervenção para desbloquear esta venda. Para quem achasse que a venda do banco era indispensável e sabendo que as instituições europeias não permitiam a solução mais racional – a integração do Banif na CGD – Centeno não tinha outra escolha que não fosse a de aceitar a venda a um dos bancos que a União permitiu como compradores. E, como fica claro no mail, isso queria dizer vender ao Santander.

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