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Pela neta, pela família quadrangular e pelo santo torturador

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O que o circo de domingo, no Congresso Nacional do Brasil nos mostrou, não foi só a fragilidade das instituições, o completo abandalhamento da democracia e o total desrespeito pelo debate político. Parecia que o futuro do país tinha sido entregue a um bando de adolescentes numa festa de finalistas. Isso é relevante e todos os portugueses deviam ver aquelas cinco horas para, por mais incrível que pareça, sentirem algum orgulho pelo nosso parlamento e pela nossa democracia. Mas o mais sinistro é percebermos que a liderança política deste processo de destituição, feito por corruptos em nome do combate à corrupção, se baseia numa plataforma onde se juntam saudosistas da ditadura, evangélicos fanáticos que querem transformar o Brasil num Estado confessional e um horda de oportunistas que encontraram aqui a possibilidade de chegar ou se manter no poder. Não gosto de Dilma e envergonha-me a degradação ética do PT. Mas a desilusão não chega para ter dúvidas sobre quem está do lado da democracia

Estar cinco horas à frente da televisão a ouvir as declarações de voto dos deputados brasileiros durante a votação da admissibilidade doimpeachment à Presidente Dilma Rousseff foi muitíssimo pedagógico. Valeu mais do que muitas leituras e muitas notícias. O retrato que faz da política brasileira em geral e das forças que estão a derrubar o PT em particular é demolidor. Porque é um autorretrato.

Já ontem escrevi aqui sobre o processo. Já escrevi várias vezes sobre aquelas que me parecem ser as razões profundas do legitimo descontentamento do povo brasileiro. Mas nenhuma explicação pode ignorar a grotesca feira de horrores que pôde observar quem se deu ao trabalho de ouvir aquelas intervenções. Elas são a imagem de uma democracia perdida.

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  • Dilma diz que a “luta será longa”

    A Presidente brasileira fala em “golpe de Estado” e garante que irá lutar até ao fim pela democracia. Sobre Lula da Silva diz que poderá ser empossado ainda esta semana como chefe da Casa Civil. “Certamente ele virá. Espero que possa dar uma grande contribuição”, declarou Dilma Rousseff

  • Despencou

    Afastar Dilma da presidência cria mais problemas do que aqueles que resolve. Processo de destituição foi votado no parlamento e ascende ao Senado brasileiro

  • O impeachment é dirigido por Eduardo Cunha, presidente do congresso que é réu no Supremo por corrupção, no primeiro caso aberto naquele tribunal no processo Lava Jato. Levará para presidente Michel Temer, vice-presidente citado nos desdobramentos do caso Lava Jato. E foi votado por um congresso onde mais de metade dos deputados estão indiciados pelo Ministério Público ou são réus no Supremo. E agora a coisa passa para as mãos do Senado, cujo presidente Renan Calheiros, terceiro na linha de sucessão, também está a ser investigado no Lava Jato. E tudo para fazer cair uma das poucas políticas brasileiras que, goste-se ou não, não é suspeita de corrupção. A coisa estranha disto tudo é que Dilma, sendo pouco recomendável, parece ser a menos desonesta dos políticos envolvidos em neste processo. E, no entanto, são os corruptos que a julgam. O que aconteceu no Congresso Nacional brasileiro não foi um impeachment, não foi um golpe. Foi uma das mais desenvergonhadas manifestações de cinismo político a que já se assistiu. Usando a expressão do humorista Gregorio Duvivier, da Porta dos Fundos, estão “querer limpar o chão com bosta”

  • Caso não fosse trágico seria divertido. A sessão da Câmara Federal de Deputados (Parlamento) que votou o impedimento de Dilma foi um espetáculo simultaneamente trágico e cómico. Uma tragicomédia, portanto