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O pior, sem contar com todos os outros

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A diferença entre a Islândia, de um lado, e a Rússia, a Arábia Saudita, a China ou a Síria, do outro, não é a falta de ética dos governantes. O primeiro-ministro islandês também foi apanhado no perigoso labirinto do Panama Papers. A diferença é que os islandeses se indignaram, se manifestaram e o primeiro-ministro demitiu-se. Na Rússia, não foi preciso mais do que uma declaração de um porta-voz e umas frases ligeiras do Presidente. E nas restantes ditaduras nem se falou do assunto. A confiança dos islandeses na democracia terá caído mais um pouco. Não perceberão, por falta de distanciamento, que só desanimam porque não se habituaram. Porque, vivendo em democracia, são muito mais exigentes. Os russos e ainda mais os sauditas, chineses ou paquistaneses, nem dão por isso. Não há desilusão porque não há exigência. Essa é a razão pela qual a democracia está sempre em crise: é a única forma de governo que se questiona a si mesma. Por isso é a mais frágil, por isso é a menos má

Sigmundur Gunnlaugsson, primeiro-ministro da Islândia, líder da direita que regressou ao poder depois de ter afundado o país numa crise financeira sem precedentes, era, com a sua mulher, proprietário de uma empresa offshore que detinha cerca de 4 milhões de dólares em obrigações nos três maiores bancos islandeses (os que faliram em 2008). Sem nunca informar os islandeses desta sua posição financeira, envolveu-se politicamente na solução a encontrar para estes bancos, quando entrou para o parlamento, em 2009. Só no fim desse ano vendeu a sua metade da empresa à mulher (por um dólar). Agora, foi apanhado no caso do Panama Papers.

Conhecido este facto, 10% da população da ilha assinou, em apenas dois dias, uma petição para a demissão do primeiro-ministro. E houve uma manifestação de 20 mil pessoas (a Islândia tem apenas 300 mil habitantes). Não demoraram três dias para que o primeiro-ministro apresentasse a sua demissão.

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