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Panama Papers: a investigação é o outro lado da globalização

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A globalização não é um agente político é um facto. Também não é, como por vezes se apresenta, uma lei da natureza. Resulta, em muitos dos seus elementos, de decisões políticas. Mas sendo um facto político, económico e cultural, a globalização transporta em si, como é habitual nos momentos fundamentais da história humana, todas as possibilidades e todas as contradições. A mesma globalização que enfraquece a lei e a democracia, promove a criminalidade financeira e contribui para a penúria fiscal dos Estados, permite a quase 400 jornalistas em todo o mundo partilharem uma investigação e torna possível tratar milhões de documentos e factos e garantir a proteção dos jornalistas perante os poderes que incomodaram. A globalização não está certa ou errada. Está. Não se é contra ela ou a favor. Lida-se com ela, contrariando-a nuns casos, favorecendo-a noutros

A realidade é complicada e é por isso que não chega uma fórmula ideologicamente pura para a explicar. As ideologias ajudam, mas estão sempre a ser questionadas pelas contradições de cada momento. No texto que escrevi na semana passada chamei à atenção para o facto da utilização de paraísos fiscais, que vão misturando economia legal e criminalidade, ser da natureza da globalização do capitalismo, onde não há lei e “polícia” acima da economia. Deste texto depreender-se-á que serei um saudosista antiglobalização. Não o sou. Apenas verifico que ela, pelo menos hoje, não é compatível com a democracia.

Mas se este caso permite comprovar o funcionamento predatório e criminal do capitalismo financeiro globalizado, também nos revela as vantagens da globalização. Esta investigação foi feita por um Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, iniciado pelo jornal alemão “Süddeutsche Zeitung”, envolvendo 370 jornalistas de cerca de cem órgãos de comunicação social (em Portugal, o Expresso e a TVI) e 76 países numa fuga maior do que do WikiLeaks.

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