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Um governo não tem “amigos”

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Mesmo aceitando que há na política uma informalidade que não existe nos procedimentos administrativos, que há nas negociações uma leveza que não se aceita nos acordos finais, o poder político não tem amigos. E mesmo que tenha aliados que facilitam acordos, quando eles ganham o peso institucional de se tornarem negociadores crónicos, passam a exigir-se formalismos mínimos. Até para sabermos se não há incompatibilidades como as que existiam na relação de Diogo Lacerda Machado com a TAP. Esteve bem a oposição nas suas exigências. Esteve mal António Costa quando, depois de celebrar contrariado um contrato, disse que isso só saía mais caro ao Estado. Sabemos que o formalismo de procedimentos tem um preço. Mas nunca é tão alto como o da opacidade. Depois da escolha de Sérgio Monteiro para vender, de António Borges para privatizar e de Lobo Xavier para mexer no IRC pro bono é pouca a autoridade para o escândalo com funções à medida para amigos. Mas os erros passados não justificam os do presente e a oposição não perde as suas funções de fiscalização por ter falhado quando era poder

Diogo Lacerda Machado é amigo de António Costa, de que foi secretário de Estado no governo de António Guterres. A proximidade política e, supõe-se, a confiança pessoal que o primeiro-ministro tem neste advogado levou-o a escolhê-lo como seu representante em várias situações difíceis. A política não pode viver só de formalismos e todos sabemos que é muitas vezes por via informal que os casos mais complicados se resolvem. Há por isso algumas diferenças entre procedimentos administrativos e políticos. É sempre o bom-senso que determina onde se traça a fronteira.

Diogo Lacerda Machado participou na negociação enguiçada entre os lesados do BES e o Novo Banco, nas negociações com empresários para a reversão da privatização da TAP e nas negociações entre Isabel dos Santos e CaixaBank para a venda parcial do BPI.

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