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Como resolver um problema em dois dias

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Enquanto Passos Coelho deixou que a insustentável situação de Miguel Relvas se arrastasse durante meses, enfraquecendo o seu governo sem qualquer vantagem para o País e para si próprio, para afirmar a sua autoridade por via da teimosia, António Costa resolveu um problema que era menos nocivo em apenas dois dias. João Soares escreveu de manhã, António Costa deu-lhe meio dia para se retratar, encaminhou-o para a demissão à noite, na manhã seguinte o ministro já se tinha demitido e ainda no fim de semana já havia substituto. Uma crise que podia ter fragilizado o governo não só não o beliscou como até fortaleceu a liderança de Costa. E de caminho fez jurisprudência sobre a forma como se devem comportar os ministros. Costa foi rápido e pedagógico. Experiência política é isto

Em entrevistas pessoais a personalidades públicas, quando se pergunta ao entrevistado o seu principal defeito a resposta é, quase sempre, a mesma: teimosia. É um defeito que é visto como virtude. Sinal de perseverança e determinação. E esta falsa crença reflete-se no comportamento dos políticos. Sou dos que acha que um líder deve liderar, não se deve limitar a seguir os humores da opinião pública. Mas isso não deve corresponder a um braço de ferro com os eleitores, mostrando sempre que não cede às suas indignações, mesmo que correspondam ao mais elementar bom senso. A teimosia pode ser, ao contrário do que parece, um sinal de enorme insegurança.

Pedro Passos Coelho nunca demitia um ministro se alguém pedisse a sua demissão. Pelo contrário, a sua liderança afirmava-se mais pela indisponibilidade de alguma vez ceder do que pela capacidade de mobilizar outros para a sua posição. É, aliás, esta necessidade de afirmação que explica o convite a Maria Luís Albuquerque para vice-presidente do PSD quando já há muito deixou de ser uma mais-valia para o partido e está, desde que aceitou ir trabalhar para Arrow, politicamente limitada. Mas Passos Coelho precisava, como precisou quando era primeiro-ministro, de mostrar que não cede a ninguém. Porque teme que a cedência seja vista como sinal de fraqueza. Um temor que só limita quem já está fragilizado.

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