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Mario Draghi não é Anselmo Ralph

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O que aconteceu no Conselho de Estado é bizarro. É bizarro porque Marcelo convidou, para participar num órgão político que tem a função de o aconselhar a ele, alguém que lá foi dar conselhos ao primeiro-ministro. É bizarro porque expôs governantes nacionais à crítica de poderes externos ao país na sua própria casa. É bizarro porque corresponde a uma postura de subserviência que diminui, pelo menos do ponto de vista simbólico, a nossa soberania. É bizarro porque não lembraria a mais nenhum Estado da União fazê-lo. Mas o pior é que, pelo menos pelo que sabemos, o convidado não comportou como convidado. Considerou ter espaço de manobra suficiente para fazer avaliações positivas e negativas sobre este e o anterior governo, como se estivesse numa reunião de trabalho ou numa conferência de imprensa. Draghi não tem culpa, dançou ao ritmo que a música pedia. Não sei o que motivou o convite a Mario Draghi para participar no primeiro Conselho de Estado, mas antes que Marcelo decida convidar Anselmo Ralph para o próximo seria boa ideia recordar que o Conselho de Estado é um órgão de político do Estado, com estatuto constitucional. E o Estado também vive de liturgias

Todas as intervenções do Presidente da República, incluindo a que fez quando promulgou o Orçamento de Estado, me pareceram equilibradas, no tom e na substância. Devo até dizer que alguns dos convites que Marcelo Rebelo de Sousa fez para integrar o Conselho de Estado, como Eduardo Lourenço, me surpreenderam positivamente. Ou seja, Marcelo começou bem o seu mandato. Mas não me parece que tenha seguido esse bom caminho a semana passada, quando criou o que considero ser uma situação desconfortável para o País.

Não sei o que motivou o convite a Mario Draghi para participar no primeiro Conselho de Estado, mas antes que Marcelo decida convidar Anselmo Ralph para o próximo seria boa ideia recordar que o Conselho de Estado é um órgão de político do Estado, com estatuto constitucional. Não é o mesmo que o espectáculo da tomada de posse. Claro que, tal como acontece no Parlamento, o Conselho de Estado pode ter convidados, apesar de, seguramente por falha minha, não ter memória de alguma vez tal ter sucedido. E compreende-se que não tenha acontecido. O Conselho de Estado é um órgão de consulta do Presidente. Se ele quiser ouvir pessoas que dele não fazem parte, sejam nacionais ou estrangeiras, basta convidá-las para ir ao Palácio de Belém para ma conversa privada. Como, aliás, Marcelo também fez com Draghi.

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