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Obviamente, demitido

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João Soares não se demitiu. Foi demitido ontem à noite, quando António Costa lhe deu um ralhete público, explicando que um ministro nem no café se esquece que é ministro. Quando não respondeu se mantinha a confiança política no ministro. Quando reafirmou a sua estima pessoal por um dos ameaçados. E quando ele próprio pediu desculpa aos visados. Enfim, quando tratou Soares como uma criança irresponsável. Quase todas as críticas feitas por Seabra tinham a ver com o mesmo: a incapacidade que Soares sempre teve em distinguir o cargo que ocupa da sua própria pessoa, dos seus humores, das suas amizades, dos seus gostos, dos seus ódios. Foi essa soberba, que o seu percurso político está longe de justificar, que mais uma vez o tramou

Quando o governo foi formado disse e escrevi que António Costa se iria arrepender por ter escolhido João Soares para ministro da Cultura. As razões eram as que Augusto M. Seabra apresentou no artigo que enfureceu João Soares mais as que o próprio exibiu na sua reacção. Disse também que a escolha era especialmente absurda quando este seria um ministério onde as opções eram muitas e seria improvável que viesse a ser um foco de problemas. Foi o mais problemático até agora.

As razões pelas quais Soares se tinha de demitir já as deixei aqui ontem. Não vou chover no molhado. A única coisa a acrescentar é que João Soares fez, com esta polémica, um favor a Costa: deu-lhe a oportunidade de se livrar de um foco de problemas sem que o ministro demissionário possa vir a recriminá-lo fora do governo. Foi ele que cavou a sua sepultura política.

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    Através da sua conta no Facebook, o ministro da Cultura ameaça dar “um par de bofetadas” aos colunistas Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente, do “Público”. Em causa está um artigo de opinião escrito pelo primeiro

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    “Sou um homem pacífico”, reagiu João Soares à polémica instalada à volta das bofetadas por ele prometidas a Augusto M. Seabra e a Vasco Pulido Valente, na sua conta do Facebook. “Peço desculpa se os assustei”, finalizava a sua declaração ao Expresso enviada por SMS

  • João Soares ameaçou de violência física um colunista (na realidade dois) que exerceu o direito constitucional à crítica ao seu desempenho político. Quando um ministro reage à crítica de um colunista, jornalista ou opositor através da ameaça de violência física é o Estado que faz essa ameaça. Quando o Estado faz essa ameaça para reagir à crítica a que está sempre sujeito põe em causa a democracia. Deixar passar isto como se fosse mais um destempero de João Soares e como se este tivesse direito a uma espécie de inimputabilidade política seria gravíssimo. Tornaria António Costa e até os partidos que suportam este governo em cúmplices de uma ameaça pública à liberdade de expressão e de imprensa. Isto não são os “corninhos” de Manuel Pinho ou uma anedota de mau gosto. É um gravíssimo precedente que não pode ser aligeirado. A consequência lógica desta ameaça só pode ser a demissão do ministro da Cultura