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Obviamente demita-se

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João Soares ameaçou de violência física um colunista (na realidade dois) que exerceu o direito constitucional à crítica ao seu desempenho político. Quando um ministro reage à crítica de um colunista, jornalista ou opositor através da ameaça de violência física é o Estado que faz essa ameaça. Quando o Estado faz essa ameaça para reagir à crítica a que está sempre sujeito põe em causa a democracia. Deixar passar isto como se fosse mais um destempero de João Soares e como se este tivesse direito a uma espécie de inimputabilidade política seria gravíssimo. Tornaria António Costa e até os partidos que suportam este governo em cúmplices de uma ameaça pública à liberdade de expressão e de imprensa. Isto não são os “corninhos” de Manuel Pinho ou uma anedota de mau gosto. É um gravíssimo precedente que não pode ser aligeirado. A consequência lógica desta ameaça só pode ser a demissão do ministro da Cultura

Hoje, na sua página de facebook, João Soares reagiu a um texto duro mas estritamente político do colunista do “Público” Augusto M. Seabra. Deixo aqui a citação completa: “Em 1999 prometi-lhe publicamente um par de bofetadas. Foi uma promessa que ainda não pude cumprir. Não me cruzei com a personagem, Augusto M. Seabra, ao longo de todos estes anos. Mas continuo a esperar ter essa sorte. Lá chegará o dia. Ele tinha, então, bolçado sobre mim umas aleivosias e calúnias. Agora volta a bolçar, no Publico. É estória de ‘tempo velho’ na cultura. Uma amiga escreveu: ‘vale o que vale, isto é: nada vale, pois o combustível que o faz escrever é o azedume, o álcool e a consequente degradação cerebral. Eis o verdadeiro vampiro, pois alimenta-se do trabalho (para ele sempre mau) dos outros.’ Estou a ver que tenho de o procurar, a ele e já agora ao Vasco Pulido Valente, para as salutares bofetadas. Só lhes podem fazer bem. A mim também.”

A questão não é o tom de João Soares, entre o carroceiro e o adolescente em birra. Esse transporta-o consigo e apenas a si prejudica. Nem sequer é referir um suposto alcoolismo do articulista, que apenas segue o estilo que Manuel Maria Carrilho usou no passado contra outro opositor político. Para quem não conhecia o estilo, que me levou, para além de outras características desta personagem política (que estão, na realidade, retratadas no artigo de Seabra que enfureceu Soares), isso não é novidade. Apenas se lamenta pela degradação a que submete o debate democrático. A questão é muitíssimo mais relevante.

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  • João Soares promete “bofetadas” a colunistas

    Através da sua conta no Facebook, o ministro da Cultura ameaça dar “um par de bofetadas” aos colunistas Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente, do “Público”. Em causa está um artigo de opinião escrito pelo primeiro

  • Falando em nome do partido, Hugo Soares diz que as afirmações do ministro da Cultura (que prometeu dar “bofetadas” a colunistas do “Público”) revelam “um padrão do Partido Socialista de falta de respeito”, mas sublinha que as opiniões pessoais dos deputados sociais-democratas pedindo a demissão do ministro “não vinculam o PSD”