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O guião está certo, o ator é que não

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O PSD tem de começar a falar do futuro e do que, para além da gestão da emergência nacional, deseja para o País. A última vez que o fez foi quando apresentou a proposta de revisão constitucional, tão desfasada do mainstream nacional que rapidamente foi metida numa gaveta. Quando Passos Coelho aceitou, no início do congresso do partido, o papel de líder da oposição a um governo legítimo que é para durar, abandonando a ridícula postura de primeiro-ministro no exílio, deu ao PSD as condição necessárias para se apresentar como alternativa e mobilizar o eleitorado de direita. Acontece que Passos Coelho é, para o mal e para o bem, o passado. O guião está certo, o ator é que não. E a prova de que não resulta foi a sua intervenção de encerramento. Tudo igual: o mesmo tom castigador, os mesmos argumentos da inevitabilidade, os mesmos fatalismos sobre a Europa, o mesmo deslumbramento com uma tecnocracia colada com cuspo. Quem, ouvindo Passos Coelho, consegue pensar em futuro? Nem ele

Pedro Passos deu um importante passo em frente no último congresso do PSD: reconheceu que o atual governo é legítimo, que não se baseia apenas numa maioria negativa e que tem condições para governar. Este passo tem um significado político claro: Pedro Passos Coelho compreendeu que apostar num ciclo curto de governação de António Costa é apostar numa roleta russa. O governo de Costa só cairá por razões externas a ele próprio. O que quer dizer que Passos Coelho teria de basear toda a sua estratégia política na desgraça do País.

A mudança de estratégia era evidentemente necessária. A aposta no ciclo curto deixaria o PSD encalhado no passado, marcado pelo ressentimento e sem poder participar em mais nada que não fosse o aviso para o risco seguinte. Foi, aliás, essa estratégia que ditou a quase inédita ausência do partido no debate do Orçamento de Estado. Havia uma espécie de processo de negação que impedia ao PSD participar na vida política corrente, esperando que as coisas voltassem a uma suposta “normalidade”. Foi também esta estratégia que o levou a apostar tudo no chumbo do orçamento pela Comissão Europeia. Ele não aconteceu e o PSD não ficou bem na fotografia. As pessoas não gostam de ver quem dirige a oposição a desejar o pior para elas. E pressentem quando isso acontece.

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