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Não é submundo, é o capitalismo globalizado

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Já sabíamos da existência destes labirintos. A novidade é que desta vez nos mostraram o mapa do tesouro. Não é a descoberta de um escândalo. Para haver escândalo é preciso haver surpresa. Não chega a ser uma notícia. É o cão a morder o homem, não o homem a morder o cão. O que é escandaloso e merece notícia é podermos ver como o funciona o capitalismo globalizado em que vivemos, em que o sistema financeiro e económico legitimo trabalha paredes meias com o crime organizado, usando de estratagemas semelhantes com o mesmo objetivo: esconder o dinheiro. A permeabilidade ao crime, por ausência de “polícia” que o contenha, é da sua natureza. Ao contrário do que tenho lido, não foi o submundo que se revelou com a “Panama Papers”. Foi o mundo em que vivemos e que nos recusamos a enfrentar. Apesar de todas as evidências, parece ser inaceitável dizer que a democracia que conhecemos e o Estado que impõe a lei não são compatíveis com este capitalismo financeiro globalizado. Compreendo a dificuldade em aceitar que se recue para as nações, até por não ser fácil imaginar como isso se faz. A questão é se queremos, em alternativa, recuar para a selva

Já sabíamos da existência dos labirintos financeiros que passam pelas offshores. A novidade da “Panama Papers” é que desta vez nos mostraram o mapa do tesouro. “Eles” passaram a ter nome. Tanto podem ser o primeiro-ministro da Islândia (pouco tempo depois da direita ter regressado ao poder já está de novo a afogar-se num escândalo), Vladimir Putin (nada mais nada menos do que dois mil milhões de dólares debaixo do colchão) ou narcotraficantes mexicanos. Da família do presidente Xi Jiping ao pai do primeiro-ministro David Cameron. 29 multimilionários da lista dos 500 mais ricos da “Forbes”. São políticos, grandes empresários, estrelas de cinema e do futebol, traficantes de droga ou terroristas.

São 40 anos de história de atividades legais e ilegais, mas quase todas serão danosas para os Estados. Não estamos a falar propriamente do submundo da finança e das empresas. Estamos a falar da criação de companhias fantasma (mais de 15 mil) nas Ilhas Virgens britânicas, no Panamá e outros paraísos fiscais por instituições como a UBS e a HSBC. Nuns casos serão habilidades legais, noutros fuga ao fisco, noutros lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de droga ou de assaltos.

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  • Uma introdução à maior fuga de informação de sempre

    Mais de 300 jornalistas examinaram meticulosamente milhões de dados pertencentes à sociedade de advogados Mossack Fonseca para expor uma lista alarmante de clientes envolvidos em subornos, tráfico de armas, evasão fiscal, fraude financeira e tráfico de droga. Trata-se da maior fuga de informação da história - os Panama Papers, que mostram como uma indústria global de sociedades de advogados, empresas fiduciárias e grandes bancos vendem o segredo financeiro a políticos, burlões e traficantes de droga, bem como a multimilionários, celebridades e estrelas do desporto. A investigação é do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, de que o Expresso é parceiro