Siga-nos

Perfil

Expresso

Angola: As habilidades dos sonsos

  • 333

O PSD e o CDS recusaram-se a condenar as prisões políticas em Angola. Em defesa da separação de poderes não tomam posições sobre julgamentos. No entanto, não hesitaram em condenar, em igual voto no parlamento, a prisão de 80 “opositores pacíficos” por “delito de opinião e consciência” que foram “julgados e condenados a pesadas penas de prisão” em Cuba. A separação de poderes é coisa que merece ser respeitada em Angola mas não interessa para nada em Cuba. O PCP recusou-se a condenar estas prisões por respeito pela soberania angolana e defendendo que cabe à justiça do país tratar destes assuntos. Mas propôs um voto ao parlamento para condenar “a brutal campanha de repressão e perseguição levada a cabo pelas autoridades de Kiev contra várias forças políticas e personalidades” e, ainda há uns dias, em nota oficial, lamentava a "instrumentalização do sistema judicial" brasileiro. A soberania conta para Angola mas não conta para a Ucrânia, as decisões da justiça respeitam-se em Angola e não no Brasil. O pior já nem é o apoio a prisões políticas de uma ditadura, é o cinismo. Suporta-se melhor quem erra por convicção do que quem dissimula por cobardia

Sabemos que, com exceção do Bloco de Esquerda, os partidos políticos com assento parlamentar se tem mostrado reféns do regime angolano. A cobardia com que se comportam sempre que estão em causa os abusos em Angola pode mesmo levá-los a momentos patéticos. Foi o que aconteceu na semana passada, perante os votos de condenação das prisões políticas em Luanda, apresentados pelo BE e PS.

Noto uma evolução que me merece aplauso: pela primeira vez, o PS, partido que participa com o MPLA na Internacional Socialista, foi claro na condenação da prisão de Luaty Beirão e os seus 16 companheiros. Os termos do seu voto foram bem mais brandos do que aqueles que eu utilizaria, mas foi um passo para o caminho certo. Trata-se de um gesto histórico nas relações de subserviência dos maiores partidos políticos portugueses com José Eduardo dos Santos e a sua corte milionária.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso)

  • Catarina Martins lança indiretas ao PCP por causa de Angola

    A mensagem foi publicada no Twitter após os deputados comunistas terem votado conjuntamente com o PSD e o CDS-PP contra uma tomada de posição de Portugal relativamente à condenação de 17 ativistas angolanos sentenciados a penas de prisão efetiva

  • Liberdade enjaulada

    Domingos da Cruz Maninho, oito anos e seis meses de prisão efetiva. Luaty Beirão, cinco anos e seis meses de prisão efetiva. Nuno Alvaro Dala, Sedrick de Carvalho, Manuel Chivonde Nito Alves, Inocêncio de Brito, Laurinda Manuel Gouveia, Fernando António Tomás “Nicola”, Mbanza Hamza, Osvaldo Sérgio Correia Caholo, Arante Kivuvu, Albano Evaristo Bingo, Nelson Dibango Santos, Itler Samassuku e José Gomes Hata, quatro anos e seis meses de prisão efetiva. Rosa Conde e Dito Dalí (Benedito Jeremias), dois anos e três meses de prisão efetiva. Angola condenou 17 ativistas. Pedro Santos Guerreiro analisa livremente