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Expresso

Um congresso que é uma espera

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O congresso do PSD é um compasso de espera. Nada acontecerá, nada é importante e o apoio e votação que Passos Coelho nele conquiste não querem dizer nada. O contraste entre a votação que Passos teve para o congresso e o seu isolamento político é sinal desta espera. Não é uma aposta suficientemente segura para ficarem ao lado dele, nem suficientemente acabada para o tentarem derrubar. Ele que aguente o próximo ano. Depois, logo se verá. É por isso que a queda imediata do governo é a luta de vida ou de morte de Passos Coelho. Se o governo de Costa sobreviver, daqui a um ano ele será um anacronismo político

Numa entrevista à Antena 1, Nuno Morais Sarmento defendeu que, caso este ciclo político venha a ser curto, Pedro Passos Coelho será o homem ideal para liderar o PSD. Parece-me fazer sentido. Se o governo cair no próximo ano (foi esse o limite temporal referido por Morais Sarmento) isso significará um enorme falhanço de António Costa. Este ciclo nem chega a ser visto como um ciclo. Terá sido um intervalo. Até porque Pedro Passos Coelho, não tendo uma maioria que suporte o seu governo e não tendo, por isso, segundo a Constituição, autoridade democrática para governar, não chegou a sofrer uma derrota eleitoral. Assim sendo, enquanto a possibilidade de regressar ao ponto em que estávamos há quatro meses existir, Passos é o homem para liderar o seu partido. Seria até estranho que outro lhe tomasse o lugar. É por isso que neste congresso não terá opositores na luta para a liderança.

Mas se António Costa se mantiver, se não houver um golpe vindo da Europa que obrigue a medidas de austeridade desnecessárias (muito úteis para mudar governos, como é do gosto da Comissão Europeia), um colapso do sistema financeiro que torne o orçamento obsoleto ou um grande desentendimento entre os partidos de esquerda, este ciclo veio para durar uma legislatura. E se isso se tornar evidente o PSD terá que fazer o que o CDS já fez: iniciar um processo de renovação que permita apresentar-se como alternativa. É que os intervalos não duram quatro anos e a política portuguesa não é como a francesa, onde os que sairam do poder a ele regressam depois de uns anos de oposição. O que, na minha opinião, é uma qualidade nossa. Neste caso, explica Morais Sarmento, Passos Coelho não resistirá. E é por isso que neste congresso não há quem se queira colar excessivamente a ele.

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