Siga-nos

Perfil

Expresso

Coxinhas e petralhas, a luta de classes no Brasil

  • 333

Um estudo da Datafolha fez o perfil dos manifestantes contra o PT na Avenida Paulista: 77% eram brancos, metade com um rendimento familiar entre cinco a vinte vezes o salário mínimo e 13% mais de 20 vezes esse salário. Isto não quer dizer que os pobres estejam satisfeitos com o PT. Não me parece que estejam e até suspeito que, mais do que a corrupção, a motivação da sua revolta sejam os efeitos sociais de uma crise económica que parece ter chegado para ficar. Nem que as manifestações contra Dilma se resumam à elite, o que tornaria impossível a mobilização conseguida e as sondagens conhecidas. O que me parece difícil é falar genericamente dos “brasileiros”, ignorando os enormes contraste sociais do país. A violência da desigualdade no Brasil não permite que se olhe para o que ali se passa com os parâmetros políticos da Europa. É ela que torna toda esta crise política especialmente perigosa para a democracia brasileira

Tudo o que tenho lido sobre as manifestações no Brasil que não se limita a repetir a propaganda da Globo (grupo que tem tido, como teve nas vésperas do golpe militar de 64, um comportamento vergonhoso que ofende as regras mais básicas da deontologia dos jornalistas) sublinha que houve uma diferença social nas manifestações contra o governo e Lula e as manifestações promovidas pelo PT e os sindicatos que lhe são próximos. Essa diferença corresponde a diferenças políticas que não podem ser ignoradas.

Um estudo da Datafolha, publicado na insuspeita “Folha de São Paulo”, fez o perfil dos manifestantes contra o PT na Avenida Paulista, no dia 13 de março: 77% eram brancos, 77% tinham curso superior, 12% diziam ser empresários, metade tem um rendimento familiar entre cinco a vinte vezes o salário mínimo e 13% recebe mais de 20 vezes esse salário.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI