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Expresso

Cuidado com o que desejas, Brasil

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Os brasileiros voltam-se para os magistrados, e em particular para aqueles com um perfil mais justiceiro, porque não encontram no sistema partidário nada de melhor do que o PT. Na realidade, foi essa a razão que os levou, depois das enormes manifestações de 2013, a reeleger Dilma Rousseff. A operação “mãos limpas” parece ser o modelo do juiz Sérgio Moro. O seu resultado em Itália: o sistema político foi dizimado, os partidos tradicionais foram substituídos por fenómenos populistas e a corrupção não só se manteve como até encontrou formas mais sofisticadas e diretas de intervir na política. Em vez de Bettino Craxi, Silvio Berlusconi. Com uma diferença: a democracia italiana era muito mais sólida nos anos 90 do que a democracia brasileira é hoje. Não vale a pena procurar nos tribunais o que só a política pode oferecer. Juízes julgam casos concretos com instrumentos muito precisos e limites muito rigorosos. Porque não dependem do voto, não podem fazer política. A regeneração dos regimes depende da construção de alternativas políticas ao poder que existe. Procurar a saída para crises políticas, económicas e sociais em salas de tribunais é preparar um país para uma catástrofe

O Brasil está a viver uma crise política que, apesar de parecer resultar de uma crise moral, nasceu, antes de tudo, de uma crise económica que está a provocar uma crise social. Aquilo que o Brasil está a viver está também a acontecer a Angola ou à Venezuela. Com a queda do preço do petróleo e o arrefecimento da economia chinesa, todos os países dependentes do petróleo que não souberam usar os seus recursos para um novo tipo de desenvolvimento estão a viver dias difíceis.

Os governos de Lula garantiram uma melhor distribuição da riqueza, criaram uma nova classe média, mas não conseguiram retirar a economia brasileira da lógica do subdesenvolvimento: produzir matérias-primas para outros as transformarem. Infelizmente, quase todo o investimento público foi direcionado para grandes obras sem grande utilidade para o futuro da economia brasileira. O que levou muitos brasileiros, incluindo apoiantes do PT, a manifestarem-se em 2013 contra o esbanjamento de recursos no mundial de futebol e em defesa de melhores serviços públicos. A organização do mundial e dos jogos olímpicos são, aliás, dois bons exemplos de escolhas erradas. Este tipo de investimento, que não moderniza a economia e usa recursos nacionais para grandes obras sem efeitos de longo prazo na economia, são o ideal para fazer crescer à volta no Estado e à volta dele uma cultura de corrupção.

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