Siga-nos

Perfil

Expresso

A corrupção e o golpe. A República das Bananas e a República dos Juízes

  • 333

Há um clima de pré-golpe no Brasil. Há colunistas da Rede Globo a pedirem a intervenção das forças armadas e polícias militares a invadirem um plenário do PT. Quem é o juiz que decide divulgar escutas de um telefonema entre a Presidente do país e Lula, sem que esta tenha qualquer relevância para um processo que, ainda por cima, acabou de sair das suas mãos? É o mesmo juiz que se afirmou “tocado” com as manifestações populares contra o PT. Em vez de investigar passou a querer liderar um movimento político de oposição. Nada disto anula a evidência de que o PT está corroído pela corrupção, que Lula, seja ou não corrupto, nunca fez desse combate uma prioridade e que a tentativa de usar um cargo político para mudar o rumo de uma investigação é inaceitável. O que o PT tentou fazer é usar um instrumento político para driblar o sistema judicial. E há quem, à direita, queira usar o sistema judicial para driblar uma derrota política. Quando as coisas chegam a este ponto, só há uma posição saudável: ser intransigente na separação de poderes. Juízes que usam o seu poder para fazer agitação política são, no essencial, iguais a políticos que usam os seus cargos para dificultar investigações. Uns e outros desrespeitam a democracia. São duas faces de uma moeda perigosa: a da judicialização da política. Por mim, assusta-me tanto a República das Bananas como a República dos Juízes

O Brasil está a ferro e fogo. Já esta semana escrevi sobre o que penso em relação à tentativa de Lula ir para a Casa Civil. Um gesto que, não lhe dando a imunidade, garantiria que seria julgado pelo Supremo. Uma vontade legitima através de um gesto ilegítimo. Não é essa a função do cargo. Também já escrevi sobre a corrupção no Brasil e o papel que o PT teve (e não teve) para mudar um problema antigo. Voltarei ao tema amanhã, na edição do Expresso em papel.

Mas quando as coisas são complicadas é bom não alinhar por visões maniqueístas. Até porque temos muitos casos, de Itália a Portugal, passando pelo Brasil, de sistemas judiciais que, à boleia da luta legítima contra a corrupção, começam a confundir as suas funções e até a jogar um papel político ativo que pode pôr em causa a separação de poderes e o sistema democrático.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI