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Caldeirada de Lula

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Tudo o que tenho lido sobre a forma como o processo Lava Jato tem sido dirigido pelo juiz Sérgio Moro, assim como a evidente pulsão autoritária de muitos dos que tentam depor um Presidente há pouco tempo reeleita, fazem temer pela democracia brasileira. Mas a decisão de fazer entrar Lula no governo para fugir a um juiz que tem claramente uma agenda política é o abuso de poder. Os cargos num governo servem para governar, não servem para fugir deste ou daquele juiz. Ao tomar esta decisão, o Partido dos Trabalhadores transforma-se numa agremiação mais próxima dos partidos do coronéis e de corruptos do que o partido de massas e progressista que foi no passado. O maior crime de Lula não terá sido o dinheiro que tenha recebido indevidamente, se o recebeu. O maior crime de Lula é ter destruído, com esta fuga para a frente, tudo o que a esquerda conseguiu conquistar no Brasil. E assim permite que a mais boçal das direitas, onde estão muitos dos que sonham com o regresso da ditadura militar, que sempre alimentaram o mais profundo dos racismos sociais contra Lula e que têm um cadastro de corrupção invejável, tivesse uma vitória estrondosa. Por este crime, Lula, que admirei por muito tempo, não tem perdão

Apesar de vários erros estratégicos, acentuados desde que Dilma Roussef chegou ao poder, é impossível ignorar a autêntica revolução que o PT causou no Brasil. Ignorar que 36 milhões de brasileiros foram retirados da miséria e o que esse salto significou para o futuro do País é não compreender as razões pelas quais o Partido dos Trabalhadores se transformou, durante tantos anos, num partido quase imbatível.

Escrevi, há 11 anos, aqui mesmo, no Expresso: “Hoje, Lula e escândalo são sinónimos. A exibição do luxo, a compra de deputados e a confusão entre o partido e o Estado são a imagem da decadência de um poder que não mudou nada de fundamental. A conclusão conveniente já estava escrita ainda antes dos homens do PT chegarem ao Planalto: nem Lula podia fazer diferente. Ainda assim, fosse eu brasileiro, não me arrependeria de ter votado nele. Porque só não se desilude quem não tenta. E, na política, como no resto, tudo acaba sempre por correr mal. Mas é quando se pensa que pode correr bem que alguma coisa, pequena que seja, muda. Às vezes.”

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