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Expresso

O Presidente de todos os jornalistas

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Fosse deputado e teria aplaudido o discurso de Marcelo. Porque não tinha nada para não merecer um aplauso de circunstância e isso talvez seja a demonstração de que esteve longe de ser “notável”. Porque não é mau que todas as forças políticas tentem construir pontes com o novo Presidente da República. Mas nunca nenhum discurso de tomada de posse de nenhum Presidente República, primeiro-ministro ou Presidente da Assembleia da República (a começar pelo atuais, sem que tantas almas ofendidas se tivessem manifestado) foi, que me recorde, aplaudido por todas as bancadas. O que raio aconteceu para que subitamente tenha surgido a ideia de que com Marcelo Rebelo de Sousa tinha de ser diferente? Os jornalistas amam Marcelo porque Marcelo fala a sua linguagem, mas o pouco saudável endeusamento mediático do novo Presidente não se pode transformar numa forma de acantonar quem legitimamente decida não lhe declarar qualquer simpatia. Pior do que uma comunicação social que não é pluralista é uma comunicação social que condena o pluralismo

Não me lembro de alguma vez ter ouvido ou lido os comentários que ouvi e li sobre o discurso de tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa. Genial, notável, extraordinário. Quem lesse as avaliações sem conhecer o discurso esperaria encontrar um daqueles pedaços de prosa de Winston Churchill declamado com a destreza de Barack Obama. Mas o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa foi banal. Não foi mau, não foi excelente. “Não teve interesse nenhum”, como escreveu João Miguel Tavares.

Recorrendo às ideias feitas sobre a essência de ser português, socorrendo-se dessa velha tábua de salvação que sempre encontramos nos momentos de agonia, recordou as grandeza passada e fez a habitual simplificação benévola do nossa história imperial, com as costumeiras odes ao mar e aos descobridores. O discurso não teve nada de mal. Um Presidente não cumpre o papel de historiador ou de intelectual. Não se espera que seja severo com a sua pátria nem sofisticado na sua análise. Poderia ter-se concentrado mais no futuro, mas talvez o passado cumpra melhor o papel que aquele discurso tinha que ter: evitar as clivagens que realmente existem. Marcelo fez o que se faz, citou o que se cita. Nada mais.

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