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Expresso

Nacionalizar o Novo Banco é ser pragmático

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Não tenho uma posição ideológica sobre a venda ou nacionalização do Novo Banco. Tenho uma posição pragmática: Portugal não se pode dar ao luxo de perder todo o seu sistema bancário e ficar refém de dois ou três bancos europeus. Perante a probabilidade de se repetir o que aconteceu com o Banif (o que só pode ser evitado com a venda dispersa em bolsa, lançando o Novo Banco numa total imprevisibilidade estratégica) e perante a certeza de que esta venda será financeiramente ruinosa, a decisão sensata parece ser a de não vender. Como mantê-lo no limbo em que se encontra não pode ser uma possibilidade, a solução mais avisada é a nacionalização. É a única forma de manter o mínimo de autonomia do nosso sistema bancário e não dar como totalmente perdido todo o dinheiro despejado no BES. Infelizmente, tudo indica que Costa e Centeno não desistem de uma má venda. Para o orçamento deste governo, por pior que corra, contará sempre como receita. Com tantos imprevistos que podem vir de fora e de dentro, é grande a tentação

O processo de venda do Banif devia ter provocado uma investigação séria nas instituições europeias. Isto, claro, se a ideia de Estado de Direito ainda fizesse algum sentido nos corredores de Bruxelas. É hoje claríssimo que, depois de decidida a venda do banco, a comissária europeia para a concorrência direcionou, de forma ativa e através da exclusão sucessivos possíveis concorrentes, a venda do banco ao Santander. Em condições muito prejudiciais para o Estado português. A mesma comissária que reconhece que nunca poderia impor um comprador para o Banif descartou todas as restantes possibilidades e “aconselhou” o governo a nem perder tempo a analisar as suas propostas. Se dependesse do voto de alguém esta senhora veria o seu comportamento investigado. Em Bruxelas isso não acontecerá. Como quem manda não é eleito todas as arbitrariedades (ou pior do que isso) são possíveis. Como se tem visto pelo comportamento incendiário do comissário Moscovici.

O comportamento da comissária não será, no entanto, um ato isolado. É convicção em Bruxelas que se deve favorecer uma concentração bancária na Europa. O que passa pela destruição dos bancos nacionais dos países mais pequenos. Uma posição coerente com toda a política da União Europeia, tendente a uma subordinação institucional, económica e financeira dos países periféricos. Assim estando decidido, as coisas fazem-se como se fazem em Bruxelas: de forma informal, através de pressões e à margem de qualquer regra escrita.

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