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Expresso

E se os EUA elegerem um Presidente fascista?

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Culto da violência, recuperação de grandeza nacional perdida, ódio racial e megalomania do líder, tudo baseado no ressentimento de uma classe-média nacional em crise. Se isto não é o retrato de um discurso fascista não sei o que é um fascista. Donald Trump instauraria uma ditadura de extrema-direita nos EUA se chegasse a Presidente? Não. Mas seguramente criaria no país o mesmo ambiente violento, intolerante e xenófobo que já disseminou na sua base de apoio. O que se traduziria, como já se está a traduzir nestas primárias, num clima explosivo de tensões raciais e num ambiente perigoso para todo o planeta. Mas Donald Trump não é um extra-terrestre na direita norte-americana. Ele foi precedido pela retórica do “choque de civilizações”, pela cultura belicista e pelo atropelo das liberdades civis da administração Bush. Com este caldo cultural legitimado pela corrente que marcou o início da radicalização dos republicanos (os neocons) e pela Fox News, bastou juntar-lhe uma crise económica para haver um fascista a caminho da Casa Branca

Não é fácil definir ideologicamente Donald Trump. Mas parece-me curto dizer que é um populista. Até porque houve uma banalização da expressão e ela passou, muitas vezes, a ser uma forma do mainstream político definir tudo o que saia da sua órbita. Chega a ser, na verdade, uma classificação que nega a própria democracia: qualquer alternativa fora do que hoje temos é inviável. Assim, quem a proponha, mais não será do que um populista, pronto para enganar os eleitores com ilusões irrealizáveis.

Esta classificação até tem permitido que haja quem se arrisque a Donald Trump e Bernie Sanders, um social-democrata tradicional com um autoritário xenófobo, um seguidor de Franklin D. Roosevelt com alguém que tem dificuldade em condenar o Klu Klux Klan.

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