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Expresso

A crise de meia-idade do Bloco

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Talvez a razão para tanto reboliço com o cartaz tenha mesmo sido, como em 2011, quando o Bloco decidiu não se reunir com a "troika", o sentimento de que ele quer regressar a um tempo que já não é o seu. Quer poder fazer o mesmo que fazia quando tinha 2% e precisava de dar nas vistas. Quando nada no País dependia de si. Uma diferença em relação a 2011, que talvez resulte da diferença das personalidades do coordenador de então e a de agora: desta vez o Bloco demorou um dia, não um ano, a reconhecer o erro. Graças a isso, o dano acabará por ser pequeno. E o balanço até pode ser positivo. No último mês tem-se sentido alguma soberba na forma como o Bloco lida com a importância que ganhou na vida política nacional. Este episódio, sendo lateral, pode servir como aviso sem castigo: recorda ao Bloco que nenhum voto está seguro e que dele se espera o que não se esperava há 10 ou 15 anos. Jesus é capaz de ter ajudado o BE a não sair do seu caminho

Num dos primeiros cartazes do Bloco de Esquerda lia-se: “O que é novo cresce”. Ficava clara a afirmação da pureza da sua infância, quase vazia de conteúdo político. Apesar do longo currículo do pai, da mãe e de toda a família, o Bloco colhia as vantagens da sua própria inocência e da ausência de culpa. Bastava, perante um eleitorado que já mostrava o seu cansaço com o jogo a quatro, dizer que aquilo era novo e prometer que tinha uma vida inteira pela frente, para crescer. Uma promessa que nem tudo o que foi novo conseguiu cumprir: PRD, Livre e MEP são apenas três dos muitos que morreram na praia. Alguns, como os eanistas e o partido de Marinho Pinto, nasceram mesmo velhos e começaram logo a definhar.

Passada a fase fofinha, onde todos se babavam com o petiz, o Bloco teve de se afirmar. De ser qualquer coisa. Já não bastava um risinho para arrancar a simpatia da plateia. O BE entrou então na sua fase adolescente. Ao contrário do que é costume dizer-se, a adolescência não é só disparates. O Bloco trouxe à política questões essenciais. As perguntas que nos esquecemos de fazer durante demasiado tempo: Somos todos iguais perante a lei? Os direitos humanos são um adquirido em Portugal? A liberdade prometida no 25 de abril é plena? Os adolescentes, porque, na sua ignorância e inexperiência, fazem perguntas sobre o essencial e, com elas, recordam-nos as respostas essenciais.

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