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Expresso

Paulo Rangel e o patriotismo de lapela

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O patriotismo nunca me disse muito. Mas passaram cinco anos de humilhação e agachamento nacional. Vi demasiada gente agradecer que outros viessem tratar de assuntos nossos. Quando desobedecemos, ouvi dizer que éramos uma “criança problemática”. E isso em vez de nos indignar assustou-nos. Quando nos calámos, que éramos um “povo bom”. E isso em vez de nos incomodar alegrou-nos. Vi um ministro das finanças curvado, servil, perante o que devia ser homólogo seu, a fazer juras de bom comportamento. Vi, na República Checa, o Presidente da República a ouvir um ralhete de outro, em silêncio. Ouvi dizer que era “bendita a troika” por fazer o que a democracia até aí não permitira. E fui percebendo como a perda de soberania não corresponde apenas à perda de democracia, o que seria já de si bastante grave. Mergulha o povo numa indignidade colectiva. Sim, os últimos anos fizeram de mim, talvez por amor-próprio, um patriota. E o degradante comportamento da nossa elite política, mediática e económica, com especial distinção para o embaraçante Paulo Rangel, contribuíram para isso

No “Público”, Paulo Rangel voltou a ensaiar o discurso da asfixia democrática. O eurodeputado sente-se asfixiado com tanta facilidade que começo a temer que tenha problemas de asma. Ou então dá-se mal com o ar da oposição. Mas foi para reagir à acusação de falta de patriotismo que se amofinou. Da minha parte, não me limito a pôr em causa o seu patriotismo. Considero que Paulo Rangel, pelos seus atos públicos e pelo papel que tem tido em Bruxelas, é de forma deliberada inimigo dos interesses da comunidade nacional de que faz parte. Está no seu direito. Assim como qualquer um está no direito de o verificar e assinalar. Por mais asfixiado que se sinta do exercício da crítica a que também ele está sujeito.

Que fique claro: não acho que quem se oponha a um governo, dentro ou fora de fronteiras, seja menos patriota por isso. Por vezes, muitas vezes, pelo contrário. Já tenho dificuldade em dizer o mesmo de quem, com o apoio dos seus aliados no Partido Popular Europeu, pressione, por interpostas pessoas, a Comissão Europeia a não aceitar ou a alterar profundamente o Orçamento de Estado português. Não é patriota quem aproveita os limites impostos à nossa soberania para ter ganhos internos. Quem tenta conquistar em instâncias internacionais não eleitas aquilo que não consegue no parlamento que representa o seu povo. Ainda mais em questões que, por natureza, são o centro da soberania democrática de uma Nação.

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