Siga-nos

Perfil

Expresso

O orçamento voluntarista, despesista, austeritário, igual as outros e assustador

  • 333

Passos Coelho anunciou que Bruxelas chumbou este orçamento mas nós não sabemos. Costa vergou-se a Bruxelas mas Bruxelas está zangada. O orçamento é tão austeritário como o do governo anterior mas, apesar das mudanças de política não terem passado de uma farsa, é voluntarista e irresponsável. Tanto, que assustou os mercados. Ou seja: o orçamento é igual mas totalmente diferente, austeritário mas despesista, uma cedência à Europa que a Europa não aceitou, uma encenação que deixa tudo na mesma mas põe toda a gente em pânico com as suas aventuras. Esta confusão serve para driblar um facto: no deve e haver o cidadão comum ficou a ganhar. Mal ou bem, os custos do ajustamento não foram cobrados aos mesmos

No Parlamento vi o que vejo mais ou menos todos os anos. Um debate genericamente aborrecido e pobre em que a oposição desancou no orçamento. Ouvi a repetição da ideia de que este é, entre o esboço e o orçamento final, o quarto ou quinto orçamento. Esta é talvez a acusação mais pateta. Só há um orçamento: o que é aprovado no fim. Tudo o que é feito antes são propostas. Se um partido tem maioria absoluta e um País não está dependente de vistos prévios externos ele é pouco mudado. Se negoceia com outros partidos é mais alterado. Se tem de ir a Bruxelas para ser aprovado por burocratas em quem ninguém votou é ainda mais alterado. Sendo um documento de trabalho é natural que sofra modificações. Tantas mais quantos mais intervenientes houver. Uma coisa é a crítica às erratas, algumas delas substanciais e por isso motivo de natural de chacota, outra é ignorar que o processo legislativo passa por alterar documentos. Deputados fazerem disso gozo é gozarem com o essencial do seu próprio trabalho.

Vi que a oposição continua a confundir carga fiscal com receita fiscal. A tese é esta: o crescimento económico será sempre uma má notícia para os contribuintes porque isso aumenta a receita fiscal. O facto de insistirem nesta fraude, em vez de medirem a variação da carga fiscal como sempre se fez, é a demonstração de uma enorme fragilidade da sua argumentação.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI