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Expresso

Costa contra Costa

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Carlos Costa não dá as garantias mínimas de independência, competência e credibilidade indispensáveis para o cargo. O erro foi de quem o reconduziu, sabendo que ele seria sempre um factor de divisão e desconfiança. Parece-me legitimo que a maioria parlamentar exija conhecer o relatório independente que parece apontar falhas graves do governador no caso do BES. E esperar que a verdade cumpra o seu papel e que alguma vergonha na cara leve Carlos Costa a voltar à sua vida na banca privada. Parece-me mais do que justo que António Costa tenha um papel ativo numa solução para os “lesados do BES”. Mas atacar publicamente o governador, ainda por cima em declarações feitas no estrangeiro, é uma má estratégia. O objetivo é correr com Carlos Costa sem manchar ainda mais o Banco de Portugal. E isso exige pinças

Quando, num julgamento em que foi testemunha o antigo diretor internacional do BCP, ele explicou que nada sabia e de nada se lembrava em relação a temas que lhe diziam diretamente respeito no banco percebi que José Sócrates tinha nomeado para governador do Banco de Portugal essa espécie tão habitual de gestores e banqueiros que sobrevive esquecendo tudo e nunca se responsabilizando por nada. E que Carlos Costa não podia ser o homem de que o nosso tão debilitado sistema financeiro devia depender.

Depois veio o caso BES. Tudo o que sabemos deixa claro que durante pelo menos meio ano Carlos Costa sabia de tudo, acompanhava tudo e permitia que Ricardo Salgado continuasse a destruir um banco que, no fim, isso era óbvio, seria pago por nós. A solução encontrada, que permitiu a Bruxelas usar Portugal para mais um dos seus irresponsáveis experimentalismos, nasceu em São Bento. Numa total promiscuidade entre governo e Banco de Portugal, as decisões de uns e de outros passaram a baralhar-se.

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