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Expresso

Rui Moreira perdeu o avião

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Compreendo os motivos políticos que levam Rui Moreira a comprar uma guerra com a TAP. O Porto, como Lisboa, está a crescer muito graças ao turismo. A sensação de que a companhia aérea de bandeira desistiu de nós, num momento tão importante, é seguramente desanimadora. É um pouco mais difícil de explicar o timing escolhido. Que não tenha atingindo este grau de agressividade nos últimos anos, quando a TAP ainda era toda do Estado e desinvestia no Porto. Que a contestação não tenha aumentado nos dias anteriores e posteriores à privatização, quando o Estado aceitava perder instrumentos para intervir plenamente na gestão executiva da empresa. Ter Rui Moreira na primeira linha do combate contra esta privatização teria sido seguramente muito importante. Seja como for, era de evitar que um tema importante como estes fosse embrulhado com o velho acicatar de rivalidades regionais. Compreendo que 2017 é ano de eleições, mas tinha Rui Moreira por um autarca diferente

Segundo julgo saber, a quota de mercado da TAP no Porto caiu, entre 2009 e 2015, de 40% para 20%. É um problema antigo, que vem de decisões de uma TAP que era exclusivamente pública. Decisões que não estou capacitado para saber se foram erradas ou certas. Não sei se o Porto precisava ou não destes voos, nem se a TAP os podia garantir. Mas concentro-me neste facto: estas decisões foram tomadas quando a TAP era totalmente pública e a Câmara Municipal do Porto tinha capacidade de fazer pressão política junto do seu único acionista.

Numa noite e antes de fazer malas, o anterior governo privatizou a TAP e os privados aprovaram o plano estratégico, não ficando garantida qualquer mudança na trajetória da empresa no Porto (onde, ao contrário do que já ouvi durante esta polémica, a TAP nunca teve qualquer hub). Nas vésperas desta privatização, as grandes escolhas da TAP continuavam a ser um assunto político central. O Estado estava prestes a perder a capacidade de determinar as grandes escolhas da empresa. Impedi-lo era a única forma de fazer exigências a uma empresa que passaria a ser privada depois desta privatização.

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